terça-feira, 27 de setembro de 2016

Livros - Adriano Dias

Adriano Dias - página 'Semema'


Os livros todos que leio
E rio e choro e mergulho,
Enquanto sou infinito, inteiro,
São só um pedaço, eu ao meio.
O outro que também sou eu
Não abre mão de existir,
Dando conta da realidade concreta.

Assim, 
na mesma medida que sou poeta,
Não vejo motivo para frescura:
Lavo louça, limpo caixa de gordura,
Leio Freud e discuto literatura.
Quero a vida completa,
E a presente,
Não a futura.

*            *            *

Adriano Dias

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Temos vagas... - Eberth Vêncio

TEMOS VAGAS PARA SONHADORES
Eberth Vêncio - in 'Revista Bula'


A taxa de desemprego no país andava um escândalo. Minha falta de inspiração também. Ambas batiam os 15%. “Tempos bicudos”, diziam o meu editor, o IBGE, as Marias e os Josés, por onde quer que eu fosse. 
Com um pouco de sorte, eu ainda estaria empregado até que redigisse este texto. 
Estava atoa na vida, o meu amor me chamou pra ver a banda passar tocando coisas de amor e também para visitar uma agência de empregos do SINE a fim de conhecer quais eram as demandas do mercado de trabalho no Brasil.

Durante a nossa caminhada, fomos atacados por uma chusma de candidatos a vereador (cada um mais eloquente que outro), vimos bad boys hostilizando um antigo compositor brasileiro chamado Francisco, pisamos em titica de cachorro, cruzamos por um motorista aloprado que gritou “Saiam da frente, pedestres de merda!” (no vidro de trás, um adesivo alertava “Este foi Jesus que me deu”) e ainda assim tivemos o disparate, o bom humor para sonharmos acordados com empregos muito mais que perfeitos. 
Eu dizia de um lado. Ela retrucava de outro. 
Divertíamo-nos numa espécie de desafio repentista. 
Afinal, o mundo ainda tinha vagas para sonhadores.

— Apanhador no campo de centeio! — eu comecei.
— Coreógrafa de flores! — ela disse.
— Rasgador de verbos.
— Poetisa profissional, mas, sem carteira assinada.
— Caçador de mim.
— Pintora de arco-íris.
— Vagamundo.
— Eletricista de vagalumes.
— Cheirador de axilas das Indústrias Avon.
— Domadora de demônios da Assembleia de Deus.
— Dormidor de conchinha, confiável.
— Enxugadora de gelo, obstinada.
— Ghost writer de Zíbia Gasparetto.
— Pajem de tartaruga.
— Afiador de flechas para cupidos.
— Acendedora de relâmpagos.
— Novo messias com experiência comprovada em milagres.
— Animadora de velórios.
— Abanador de moscas.
— Estrategista de orgasmos.
— Dançarino de chuva.
— Chaveira de corações.
— Fonoaudiólogo de árvores.
— Ventríloqua de loucos.
— Arquiteto de planos de fuga.
— Veia bailarina.
— Adestrador de sonhos impossíveis.
— Bela, recatada e do lar.
— Goleiro milagreiro.
— Incendiária de sóis.
— Leiteiro da Via Láctea.
— Confeiteira do pão que o diabo amassou.
— Maestro de passarinhos.
— Boba alegre.
— Cuidador de velhas esperanças.

*            *            *

domingo, 11 de setembro de 2016

Viver sem medo - Eduardo Galeano


Eduardo Galeano
VIVER SEM MEDO
Eduardo Galeano

Se você ama, terá AIDS;
Se fuma, terá câncer;
Se respira, terá contaminação;
Se bebe, terá acidentes;
Se como terá colesterol;
Se fala, terá desemprego;
Se caminha, terá violência;
Se pensa, terá angústia;
Se duvida, terá loucura;
Se sente, terá solidão

Para ter fôlego é preciso ter desalento;
Para se levantar tem que  saber cair;
Para ganhar tem que saber perder.
E temos que saber que assim é a vida,
e que você cai e se levanta muitas vezes.

Alguns caem e não se levantam nunca mais,
geralmente os mais sensíveis,
os mais fáceis de se machucar,
as pessoas que mais dor sentem ao viver.
Os mais sensíveis são mais vulneráveis.

Em contrapartida, esses que se dedicam a atormentar
a humanidade têm vida longuíssima, não morrem nunca.
Porque não têm uma glândula, que na verdade, é bem rara
que chama consciência,
aquela que nos atormenta pelas noites.

Acho que o exercício de solidariedade,
quando se pratica de verdade, no dia a dia,
é também um exercício de humildade
que ensina você a se reconhecer nos outros
e a reconhecer a grandeza escondida nas coisas pequeninas.
O que implica denunciar a falsa grandeza nas coisas ‘grandiosas’.

*            *            *

Notinha: O grifo é meu

Um livro deve ser... - Adriel Dutra

Um livro deve ser… – Kafka
Adriel Dutra -  na página 'Fãs da Psicanálise' - 1 de fevereiro de 2016

Ilustração: Teresa Wiles

Nunca duvidemos da potência de um livro, um livro pode mudar rumos – me lembro como perdi o rumo no primeiro parágrafo de “O Anti-Édipo” de Deleuze & Guattari e nunca mais fui o mesmo, primeiro parágrafo!

Um livro pode nos fazer acontecer de modos radicalmente diferentes daqueles que querem que sejamos… um livro que provoque pensamentos, pois o pensamento é uma grande potência. 
Nós quase não nos damos conta de que o pensamento é uma grande potência porque, afinal, “pensar é tão natural” – pensamos.

Talvez demos pouco valor ao pensamento porque estamos desacostumados a pensar, desacostumados a pensar e muito acostumados a pensar o já pensado – reproduzir. 
Não que precisemos inventar a roda a todo instante, mas perceber as afetações e as relações que estabelecemos com o pensamento, o corpo e nossos modos de existir junto aos acontecimentos do mundo. 
Fora disso estamos apenas reproduzindo o que já está pensado.

Precisamos provocar o pensamento ou a gente vai se entupir de lixo despejado diariamente pela mídia, pela religião, pelo estado, pela economia, pelos especialistas… por todo tipo de gente que quer fazer da vida um grande negócio, e isso envenena a vida, é tóxico. 
Livro não é a única coisa que nos provoca, mas é uma das fundamentais. E não o livro pelo livro, não a quantidade, a lista de leitura do mês, a lista dos 5 maiores maiores escritores de literatura, a lista dos mais vendidos, a lista dos indicados … não! precisamos de um livro desses que Kafka chama de um machado para o mar congelado que há dentro de nós.   

Um machado para nos arrancar do círculo pessoal a que estamos habituados, das conversações edipianas do almoço familiar de domingo, da nossa falsidade diária com que nos cumprimentamos no trabalho e nos elevadores – um machado… para descobrir a grande potência do pensamento! 
A pergunta espinozana para o corpo, nas devidas proporções, também caberia aqui: o que pode um livro?

"É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. 
Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. 
Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? Para que ele nos torne felizes, como você diz? 
Oh Deus, nós seríamos felizes do mesmo modo se esses livros não existissem. 
Livros que nos fazem felizes poderíamos escrever nós mesmos num piscar de olhos. 

Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. 


Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós. " F. KAFKA


*            *            *


sábado, 10 de setembro de 2016

Por que ler Guimarães Rosa? - Miquéias Sartorelli

Por que ler Guimarães Rosa?
Miquéias Sartorelli -  Ensaio em 'Homo Literatus'

Sobre como a leitura das obras de Guimarães Rosa auxilia a reconhecer as diferenças do outro

“O que mais vou escrever além do Veredas? Já sei.”


A educação básica e, sobretudo, os cursinhos pré-vestibulares têm uma categoria curiosa para enquadrar Guimarães Rosa na história da literatura. Para eles, o escritor mineiro pertence à terceira geração do nosso modernismo. No entanto, esse rótulo não diz quase nada relevante sobre seus traços norteadores ou suas contribuições para a ficção brasileira. 
Aliás, quanto mais avançamos no sentido temporal das escolas literárias, mais as nomenclaturas dão sinal de clara insuficiência.

O que interessa aqui, contudo, não é debater os limites e malefícios desse modo particular – infelizmente soberano – de apresentar a literatura nas escolas, mas sim fazer um sobrevoo mais rente a dois aspectos desse autor imprescindível para a cultura brasileira: o aspecto fabulista e o aspecto regionalista.

Quem procurar pela bibliografia de Guimarães Rosa talvez possa se enganar no que diz respeito ao volume de sua produção. 
São apenas cinco livros publicados em vida e três póstumos. Estreia com Sagarana, em 1946, reaparece dez anos depois com Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas e termina, na década de 1960, com Primeiras Estórias e Tutaméia
Após a morte, são editados Estas Estórias, Ave, Palavra e Magma, sendo os dois últimos procurados, em larga medida, mais por pesquisadores que por leitores não especializados.

Essa aproximada meia dúzia de obras, entretanto, enfeixa um extraordinário número de narrativas, causos, estórias, contos e enredos. 
Assim, tudo se sagaranamultiplica, prolifera-se. Ao contrário de muitos escritores e escritoras que parecem, a cada livro lançado, gravitar sempre em torno de semelhante entrecho, 
Rosa é prolífico em criar renovadas situações e personagens.

Sua espantosa capacidade de fabulação nos leva ao primeiro ponto de interrogação que consideraremos, pois crucial no campo da estética e incontornável para cada pessoa que se proponha a escrever: é possível ainda contar histórias?

O filósofo alemão Theodor Adorno, em ensaio fundamental sobre a posição do narrador no romance, afirma que não, em especial se a intenção for continuar sob as mesmas roupagens do século XIX. Ressalta a impossibilidade de narrar depois do abalo que as grandes guerras provocaram na sensibilidade humana. 
Decorreria desse impacto terrível um deslizamento da antiga figura do contador de aventuras para a fragmentação e dispersão do modo de expor os dados da experiência, incapaz agora de ordenar os acontecimentos e coisas do mundo.

Nesse sentido, não é estranho que ele defenderá as vanguardas, expressões dessa ruptura com o modelo narrativo tradicional que remonta, em última instância, à oralidade. 
A posição do frankfurtiano, no limite, cristaliza ideias que estão no cerne das grandes questões da modernidade.

Ora, Grande Sertão: Veredas, por exemplo, é uma resposta formidável a esse impasse. 
Sem apostar em realismos, algo também combatido veementemente por Adorno, o livro é um rico painel de histórias. Vale registrar que Riobaldo, protagonista do romance, não deixa de sublinhar a arbitrariedade que conduz sua fala, o distorcimento dos fatos pela memória, ao longo do envolvente relato de sua vida; no entanto e igualmente, não se furta ao ato de narrar. 
Em resumo, a perspectiva desfigurada se faz sentir também na obra, mas com outros propósitos. 
No lugar de plasmar cruamente um mundo desencantado, investe na tentativa de reencantá-lo com histórias e momentos poéticos. Não que tal resposta seja a solução, o único caminho possível, mas representa uma alternativa.

A título de comparação, tomemos o caso da poesia concreta, movimento cosmopolita sintonizado com o que havia de mais moderno e radical no panorama literário contemporâneo a Rosa. Arquitetada sobre princípios de veredasdesintegração de linguagem/comunicabilidade, autorreferência e autonomia da obra de arte e capitaneada pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e pelo não menos importante Décio Pignatari, a poesia concreta pouco se interessava em contar algo ou investir em conteúdo, a preocupação era entusiasticamente formal.

Guimarães Rosa percorre, como observamos, vias diferentes. 
Além disso, inscreve-se numa tendência regionalista que, embora dominante nos anos 1930, já sinalizava certo esgotamento naquela conjuntura marcada pelo desenvolvimentismo.

Fator decisivo para nosso segundo ponto de interrogação: é possível ainda ser regionalista?

Nome destacado nos estudos rosianos, Walnice Nogueira Galvão, compreende o lugar de Rosa na literatura brasileira como uma síntese de duas vertentes literárias: o já citado filão regionalista e a linha espiritualista. 
Em razão disso, conciliaria descrição da vida sertaneja e especulação metafísica. 
O autor mostraria que o mais papudo dos catrumanos dos rincões do Brasil pode aspirar à transcendência, mesmo sendo iletrado. Visão bem distinta de uma abordagem que representa o pobre como tipo social, sem qualquer densidade psicológica.

Um dado importante de frisar é que a ficção introspectiva, herdeira do romance católico francês, é algo relativamente novo, enquanto a prosa ao rés-do-chão, comprometida com a pesquisa geográfica e social, é velha companheira das letras nacionais. Esteve presente desde os cronistas coloniais, passando pelos subprodutos indianistas e sertanistas do romantismo. 
Mais adiante, ganha novo sopro com autores naturalistas e chega ao limiar do modernismo paulista. Nos anos 1930, dá um grande salto de qualidade nas mãos de um Graciliano Ramos ou uma Rachel de Queiroz, em especial porque coincide com a formação de um mercado editorial e com a ampliação de um público leitor. 
Nesse contexto, o papel do livreiro José Olympio é decisivo.

Isso tudo faz com que a vertente regionalista seja um programa estético dominante entre nós, mas que em fins da década 1940 sofra, por outro lado, sua contrapartida mais incisiva: o processo de urbanização.

Vidas Secas (1938) e O Quinze (1930), para citar os títulos consagrados dos nomes acima elencados, tratam da diáspora nordestina. Mas o que vem depois? E quando parte significativa da população das zonas rurais já se deslocou para as cidades, como São Paulo ou Brasília?

Talvez possamos nos valer de uma equação entre os mundos rural e urbano: quanto mais incorporada e diluída a cultura dos interiores do país pela modernização, mais o projeto literário regionalista arrefece. Daí a sensação de enfraquecimento desse modelo.

No entanto, contrariando todas as expectativas, Guimarães Rosa aparece com suas obras na esteira regionalista e prova que ainda é possível retirar desse universo uma ficção de inconteste qualidade.

Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fecho”, define Riobaldo já nas primeiras páginas de Grande Sertão. 
Não são apenas os seres que têm profundidade psicológica, mas o próprio lugar. 
O sertão é vasto como os meandros da alma humana, é onde começa e termina, grosso modo, toda a obra de Rosa. Sertão de Minas, dos Gerais, menos árido e de rios gigantescos como o São Francisco.

É nesse espaço geográfico e simbólico, sertanejo e místico, que o autor situa também suas estórias (para usar o termo com que ele insistia em designar os próprios contos), narrativas estas do calibre de “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, “Desenredo”, “Sorôco, sua Mãe, sua Filha” e “A Terceira Margem do Rio”.

Diferentemente da síntese algo horizontal de tendências sugerida por Walnice, o que se observa é um movimento vertical. 
O autor supera o filão regionalista menos pela fusão de tradições opostas do que por uma investida por dentro da vertente. 
Sua observação crava-se tão agudamente na realidade que atinge o âmago de questões primordiais (a morte, o amor, a existência ou não do diabo, a ambiguidade dos seres, o sentido da vida, etc.), e não tópicos estritamente regionais. 
Paradoxalmente, quando a literatura cola no real, ela se libera como ficção de alto nível. O que indica que Guimarães Rosa não abandona propriamente o regionalismo, mas sim dá a ele dignidade, mostrando-nos que é de rumos improváveis que surgem grandes obras.

Nesses termos, as regiões afastadas dos grandes centros e as pessoas pobres não são, por isso, menos encantadoras ou cruéis. 
São, na verdade, tão complexas e inconstantes quanto os homens e mulheres letradas – leitores e leitoras de literatura.

É justamente em função desse olhar respeitoso e livre de um ranço de superioridade que Rosa rompe o pitoresco, fazendo-nos enxergar e reconhecer, pela leitura, as diferenças do outro. Identificando, ainda assim, o lastro comum de humanidade entre um jagunço e um doutor da cidade, como em Grande Sertão, numa conversa que tem muito a nos revelar e emocionar.

Para concluir, convém notar que esses dois aspectos são, por um lado, exemplares de que talvez, em última análise, “nunca” seja uma das palavras que não rima com arte, território no qual é sempre possível ir além. 
Por outro, são instigantes convites para ler Guimarães Rosa e se deliciar com as histórias sempre cativantes de seus sertanejos.


*            *            *

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Ontem eu me distraí...- Adriano Dias


Ilustração da inglesa Cathrine Blan 

Adriano Dias - página Semema


Ontem eu me distraí
e te deixei cair
do meu coração.
Foi uma loucura, desde então,
um fuzuê danado dentro de mim:
primeiro foste parar no meu rim,
encharcado, borrachudo.
Passei a beber de tudo,
para vencê-lo pelo inchaço,
mas tu me escorregaste para o baço,
aquartelada com as hemáceas que ali faço,
bem quentinha.
Soquei ali com toda força que tinha, 
como um lutador a se auto-flagelar
e joguei-te para a vesícula biliar.
Arranhando-te em inoportunas pedras,
fugiste logo para as pernas
e corri muito a exauri-las de repentino,
fustigando-te ao meu intestino,
ambiente demais de latrino
para alguém como tu és,
e logo escapastes para meus pés.
Mirei numa parede ao dispor,
fechei os olhos à dor
e enfeie-lhe um baita chutão,
catapultando-te ao meu pulmão
(o direito).
Acendi um cigarro atrás do outro
e, tossindo feito louco,
senti teu deslizar sorrateiro,
fazendo-se de santa,
ao espaço derradeiro de minha garganta.
Estavas perto de fugir permanentemente,
isso eu não suportaria, não,
e preparei, rapidamente,
um gargarejo de suco de limão
com alho (apenas um dente) e salitre.
Gorgolejei para repelir-te
pela acidez tamanha,
devolvendo-te atordoada às minhas entranhas.
Daí, escalaste-me feito montanha,
ao único órgão onde pudeste repousar,´
única morada, único lugar
onde todas minhas maravilhas estão,
onde vivo sempre, 
mais visito e tão quente,
vasto, infinito e permanente,
quanto o coração.
Vives vasta comigo em minha mente, desde então.

*        *         *

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Ficando incrível - Pamela Camocardi

Não envelhecemos, ficamos incríveis!  
Pamela Camocardi -  em "Entrelinhas literárias - crônicas"



E ficamos mesmo! 
Pense bem: quanta sabedoria adquiriu nos últimos anos? De quantas quedas foi necessário se levantar? Quantos cortes na alma foram cicatrizados? Quanta saudade você engoliu a seco, sem direito a gelo? Só você sabe! Foi só você quem sentiu! 
Então não venha me dizer que essas marcas de expressão no seu rosto são incômodas. Elas são a representação de que os momentos, bons ou ruins, valeram a pena. 
Que as preocupações, as lágrimas que ninguém viu e o sorriso que você deu sangrando por dentro, fizeram de você uma pessoa melhor. Um ser humano como deve ser: simples e descomplicado!

Ninguém aprende nada na alegria. Então um brinde a todas as nossas quedas e a todos que foram motivos delas. 
Nossos traumas, nossas neuras e nossos medos já entenderam que não são donos da nossa mente. Provamos a eles quem manda em quem. Se existem, ficarão em estado de inércia, porque daqui para frente, a história será outra e os protagonistas seremos nós! 

Quer saber quando você começa a envelhecer? Quando não consegue mais rir! Rir mesmo, gargalhar! Alto! 
Quando não vê mais alegria na vida. 
Quando não ri de si mesmo e abre mão do que lhe faz bem. 
Quando renuncia às gentilezas, aos pequenos gestos de carinho das pessoas que lhe trazem paz. 
O restante é balela...

Deixe  o tempo mostrar a aparência que ele quiser, porque a sua alma, só envelhecerá no dia em que você permitir. 
Corpo é casca. Aparência não molda caráter, não mostra quem você é! 
Abra mão do que sai com água e sabão e cuide do espírito. 

Ah.... e as rugas.... que venham muitas. Sinal de que você pegou muito sol e tem muita história para contar!


*            *            *