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terça-feira, 17 de junho de 2014

BASTOS TIGRE - Eterna Incógnita

Eterna Incógnita
Manuel Bastos Tigre 
(Recife, 12 de março de 1882 — Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1957) 

Não sei quem sou nem sei por que motivo
Vim ao mundo e o que nele vim fazer.
Sei que penso e, portanto, sei que vivo,
Neste anseio instintivo de viver.

Porque procedo do homem primitivo,
Há rugidos de fera no meu ser.
Bom e mau, triste e alegre, humilde e altivo,
Não me posso, a mim mesmo, compreender.

Pois se, de mim, não sei causa e destino,
Que dos outros, do mundo, saberei?
Que definir, se a mim não me defino?

E sigo, ao léu da vida, a ignota lei,
Descrendo das verdades que imagino
E acreditando em tudo o que não sei.

*        *        *

segunda-feira, 9 de julho de 2012

BASTOS TIGRE - Envelhecer

Envelhecer
Bastos Tigre
Recife, 12 de março de 1882 - Rio de Janeiro,2 de agosto de 1957


Entra pela velhice com cuidado,
pé ante pé, sem provocar rumores
que despertem lembranças do passado,
... sonhos de glória, ilusões de amores.

Do que tiveres no pomar plantado,
apanha os frutos e recolhe as flores
mas lavra ainda e planta o teu eirado
que outros virão colher quando te fores.

Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!

Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.

*        *        *