Mostrando postagens com marcador Luiz Coelho Medina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Coelho Medina. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de agosto de 2016

Frutos - Luiz Medina

FRUTOS
Luiz Coelho Medina


Tenho em meu
quintal,
um pé de Quintana.
Sempre quando
está Rubem Fonseca,
rego com Vinicius
e Drummond.
Aí começam a brotar
Cecílias Meireles
e Clarices Lispectores.
No outono, as folhas
caem, escritas de poemas.
Quando comemos seus
frutos,
alimentamos a mente,
a alma
e fertilizamos
o futuro. 
Ficamos mais frondosos,
como uma espécie
de árvore.
Ficamos também,
um pouco mais
do que meros
seres humanos.

*        *        *

domingo, 24 de julho de 2016

Catarse - Luiz Medina


CATARSE
Luiz Medina

Adoro falar sozinho.
Não preciso dizer entre dentes.
Xingo o chato do vizinho,
o congresso, o presidente...
É uma catarse fenomenal,
quase um gozo que ninguém viu.
Mando tudo que me faz mal
para a puta que pariu.
E mesmo ao falar baixinho,
sento a língua, qual porrete.
Adoro falar sozinho.
É gostoso pra cacete!

*            *           * 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Jardineiro sem jeito - Luiz Medina

JARDINEIRO SEM JEITO
Luiz Coelho Medina - poeta contemporâneo - Nova Iguaçu-RJ


Nunca tive
um amor perfeito,
sempre tentei...
Não teve jeito.

Rosa, dália, jasmim,
cravo, lírio e até daninha...
Tinha um defeito o jardim:
O amor perfeito, não vinha.

Enxerto, fertilizante,
adubo, água de leito...
Cuidado a todo instante
e nada de amor perfeito.

Por mais carinho, herbicida,
fiz tudo certo e direito:
Orquídea, antúrio, margarida...
Só não vinha o amor perfeito.

Nunca tive 
um amor perfeito,
sempre tentei...
Não teve jeito,
sempre murcharam.
Morreram os que plantei 
no chão, 
e os que no peito 
brotaram.
Não teve jeito.
Teve não...

*            *            *