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sábado, 18 de agosto de 2012

OLINDA RIBEIRO - Dois poemas

Dissonância

Toda a poesia que se perde
Por preguiça, incomodo, ou desleixo,
São poemas da alma onde fecho
O “sentir” embrionário e verde.

Tantas coisas tenho para dizer
Porquês de vida querendo resposta
Calamidades internas onde a aposta
É o ego soltar a opressão que me faz sofrer.

Não deixar os tumultos internos prevalecer
É controlar a revolta interna do meu existir.
Mas tudo é errado e incongruente.

E sem que a vontade mande, todo o meu ser
Explodiu em obesidade física e mental, fazendo colidir
A liberdade e o direito ao que a alma sente.

2012 Olinda Ribeiro

* * * * * * * * * * * *

 
Que rico dia

Hoje vivi intensamente!
Apanhei uma forte chuvada
Senti o vento no rosto
E por intrépidos momentos
Não pensei em nada

Isto sim é que é Vida!


2012 Olinda Ribeiro



*            *            *

quarta-feira, 6 de junho de 2012

DOCE OLINDA

Comemoramos hoje o aniversário de nossa querida poetisa Olinda Ribeiro.

Num gesto de extrema delicadeza, há alguns dias ela enviou-me esses dois poemas inéditos que refletem, sempre, a expressão mais pura e suave de uma alma 'perfumada', como bem a caracterizou nossa amiga Catarina Ribeiro, outro ser humano admirável.

Meus agradecimentos a essas pessoas tão especiais.


Hoje respira doce e sorri…

Perto do lusco-fusco
Senta-te à minha beira
Inspira o momento
Ganha o sopro do vento
Liberta-te doce e aligeira
O cansaço dorido e brusco
Amena por um instante
Importa saber constante
A paz, o amor, o lusco-fusco…

Liberta-te, senta-te à minha beira…
E descansa
Que o amanhã chegará…
O amanhã cuida de Si!
Hoje respira doce e sorri…

 
Olinda Ribeiro

*        *        *

Há egoísmo muito bom!

Este meu egoísmo é azul
Tenho muita sorte em tê-lo
Bordeja-me o juízo com desvelo
Augura que o bem-bom me estimule.
Calculo que seja acetinado
Ligeiro em tons de Malva
Ou então de rosa-brava
Aí será um pouco pró aveludado.

Mas tenho contudo a certeza
Que é um egoísmo formidável,
Imponente! Majestoso! Sorridente!
Azul! Egoísmo azul! Que Beleza!
Delicado, irreverente, sustentável,
O egoísmo próprio de gente…

Olinda Ribeiro

*        *        *

sábado, 26 de maio de 2012

NOTINHA


Com o intuito de facilitar nossa busca em reler, sempre que quisermos, seus belos poemas, estou enviando os textos de Olinda para o marcador específico - Olinda Ribeiro poetisa portuguesa contemporânea. 

(Ver Marcadores, à direita da página)

domingo, 20 de maio de 2012

OLINDA RIBEIRO

Caros amigos e admiradores da poesia de Olinda Ribeiro:

Um mimo para todos vocês - e para mim também, claro - do já conhecido perfume de Olinda.

Um post com três poemas, uma vez que estou com certas dificuldades no acesso à Internet.

*          *          *

Poesia Coquete
Olinda Ribeiro

As afeições marmoreadas embotam os sentidos. Poesias,
Passeiam copiosas entre avenidas, veredas, e arvoredos frondosos,
Almas amantes surripiando carinhos e olhares famintos,
São poemas sobre rolas, fénix, unicórnios e sereias rubescentes,
As delicadas poesias são só sonhos almejados por poetas,
Todos os poetas tecem magnânimos mantras à poesia…
(Os poemas)

Paraísos em debandada entre rimas e amor explícito e implícito,
E sabemos nada! Temos sede do atingível verso perfeito.
Entre papos de anjo e teias de aranha arquitetamos laudes,
O musculo coração bate acelerado/serenizado ante a criação,
Se uma só palavra basta para arrebatar a mente e o ser e o existir.
Asperge-se todas as coisas como um acto de viver merecidamente,
Vive-se cada letra abreviada unida a outra e nasce a palavra respirada,
Depois… Depois a frase, descritiva, revela por quem bate o coração,
O olhar crepitante pinta sentimentos, muitos risos e flores marron…
Debalde o que se passa em redor ouve-se música celestial
Entre as pedras da rua o ébrio zigazeante e a perfuradora.
E se por um feliz acaso estamos arrebatadamente apaixonados
Então a poesia nasce até dum caracol pastando pelos caminhos de Santiago!
Somos capazes de nos considerar destramente sábios,
O ego fica do tamanho do universo e os deuses que se acautelem…
O vento borrascoso dá um safanão … como imagens cópticas… pó,
As palavras cépticas desfazem-se como espuma na areia,
E a lição a reter é que a vida é para viver tal como o amor,
E se por um ocaso a poesia que sinto a for transmitindo,
Não é por mérito próprio mas por vontade da própria poesia.
Os poetas nada sabem de poesia.
A poesia sabe tudo dos poetas.
Brinca com os poetas,
como se os poetas fossem grãos de areia escorrendo entre os dedos…
Mas é caprichosa!
Não permite que outrem desdenhe dos seus poetas….
Isso é que não!
Os poetas são seus!
Ama-os fogosamente …
no ardor da paixão inspira-os,
No amago da tristeza consola-os,
e nos dias de chuva fazem amor!

2012 Olinda Ribeiro
**

Tenho a alma virada pro mar
Olinda Ribeiro


Tenho a alma virada pró mar
aquela imensidão
aquarelas brilhantes
baloiçando
ora sim ora não
piscares cadentes
bailar bailar bailar
em espuma e sal
e o mar
a minha alma a espelhar!

 
2009 Olinda Ribeiro 18 de Maio
**
 
 
 
O tempo voou
Olinda Ribeiro

como é que já anoiteceu
se ainda agora amanheceu
chamaste por mim
e
o tempo voou

posso sem receio afirmar
que
o tempo se distraiu
e deixou passar as horas
pois
entre o toque da tua pele
o cheiro a talco
a canção de ninar
amamentar
ser seduzida por ti
passaram
apenas uns breves instantes!

1994 Lili (Olinda Ribeiro)10 de Outubro

***

segunda-feira, 23 de abril de 2012

OLINDA RIBEIRO - A vida é mesmo assim...

A Vida é Mesmo Assim
Olinda Ribeiro


Somos o sonho que vamos realizando,
e as experiências que vamos vivendo,
as memórias que temos, vão revelando,
quadros de vida que fomos retendo.

Bons ventos nos levam à descoberta,
das sábias conquistas do nosso interior,
com energia positiva, e mente aberta,
abrimos caminho ao Eu superior.

Percas e ganhos tudo faz parte,
sorrisos, dores, emoções e folguedos,
tudo pertence à excelência infinita.

Os sentimentos são telas, são arte,
partículas minúsculas do mesmo segredo…
Que tornam a vida muito mais bonita.

*        *        *
2011 Olinda Ribeiro

segunda-feira, 16 de abril de 2012

OLINDA RIBEIRO - Felicidade


Em atenção aos muitos amigos que solicitaram, nos Comentários, mais este poema delicioso de Olinda Ribeiro.

Agradeço a todos vocês que se reconheceram nas palavras simples e delicadas dessa poetisa.



Felicidade
Olinda Ribeiro

Se cantares para mim eu gosto

Se me beijares eu deixo

Se me abraçares suspiro

Se me amares Eu canto!

*        *        *

sábado, 14 de abril de 2012

OLINDA RIBEIRO - Pomba Branca

Por sugestão - em comentário no blog -  de Catarina Ribeiro, também admiradora da poesia de Olinda Ribeiro, esta que tem, em Ana Catarina, sua pomba branca.

Tantas coincidências de nomes...muito interessantes.


Pomba Branca
Olinda Ribeiro

Pomba branca mágica pomba branca
sempre o símbolo da paz
sobrevoando sonhos e montanhas
e outros céus iluminados e estereotipados
a pomba poética e profética cai bem
nas frases feitas dos discursos
prontos para consumir por
povos sedentos de esperança,
mas uma criança com fome
quer pão, um copo de leite,
uma cama quente e colo de mãe,
essa é a sua pomba branca,
a sua paz, o seu símbolo, e a sua esperança.

Perguntava-me qual era minha contribuição
Para a paz de uma criança?
A pomba branca poisou no meu colo
Aninhou-se no meu peito
 Deu-me um beijo e adormeceu.
E hoje ainda que só por hoje
Acreditei que o símbolo da paz
Era uma pomba branca voando
Pelos céus e pelas montanhas
E que os homens eram homens
E as crianças somente crianças
Sonhando com pombas brancas.

*        *        *
2012 Olinda Ribeiro 21 de Março, dia mundial da poesia

segunda-feira, 16 de maio de 2011

OLINDA RIBEIRO (Poeta portuguesa)

É URGENTE DIZER O QUE TENHO A DIZER


Um beijo é doce, ou insignificante,
Um gesto sincero, é mais importante.
E tudo se resume a reconhecer,
Que entre nascer e morrer,
Existe um aqui e um agora,
Enquanto vai a noite vem a aurora.

Aproveitemos então o acontecimento,
Façamos da vida um belo momento!
Brindo aos amigos, poetas, e cores,
Brindo a mim e aos meus amores!
*       *        *

LETRAS, NÚMEROS, E O MEU PAI


… E levavas-me ligeira pela mão,
… Estrofeando um cântico contado,
Como se a tabuada fosse uma canção,
E o dois+dois um acto consumado.

Depois a lengalenga do alfabeto,
Num rodopiar de vogais e consoantes,
E como das prosas um disparo dialecto,
Fazias-me dizer frases vagas e inconstantes.

Tudo tem um propósito! Há que papaguear,
Não questionar o verbo apreendido…
Que o tempo, outros verbos fará conjugar,

Descobrirei pela vida o dom desse cantarolar,
Que em termos me deixou o cérebro exaurido,
Mas me ensinou a língua mãe bem articular.

Olinda Ribeiro (Lili)

*        *        *