Caros amigos e admiradores da poesia de Olinda Ribeiro:
Um mimo para todos vocês - e para mim também, claro - do já conhecido perfume de Olinda.
Um post com três poemas, uma vez que estou com certas dificuldades no acesso à Internet.
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Poesia Coquete
Olinda Ribeiro
As afeições marmoreadas embotam os sentidos. Poesias,
Passeiam copiosas entre avenidas, veredas, e arvoredos frondosos,
Almas amantes surripiando carinhos e olhares famintos,
São poemas sobre rolas, fénix, unicórnios e sereias rubescentes,
As delicadas poesias são só sonhos almejados por poetas,
Todos os poetas tecem magnânimos mantras à poesia…
(Os poemas)
Paraísos em debandada entre rimas e amor explícito e implícito,
E sabemos nada! Temos sede do atingível verso perfeito.
Entre papos de anjo e teias de aranha arquitetamos laudes,
O musculo coração bate acelerado/serenizado ante a criação,
Se uma só palavra basta para arrebatar a mente e o ser e o existir.
Asperge-se todas as coisas como um acto de viver merecidamente,
Vive-se cada letra abreviada unida a outra e nasce a palavra respirada,
Depois… Depois a frase, descritiva, revela por quem bate o coração,
O olhar crepitante pinta sentimentos, muitos risos e flores marron…
Debalde o que se passa em redor ouve-se música celestial
Entre as pedras da rua o ébrio zigazeante e a perfuradora.
E se por um feliz acaso estamos arrebatadamente apaixonados
Então a poesia nasce até dum caracol pastando pelos caminhos de Santiago!
Somos capazes de nos considerar destramente sábios,
O ego fica do tamanho do universo e os deuses que se acautelem…
O vento borrascoso dá um safanão … como imagens cópticas… pó,
As palavras cépticas desfazem-se como espuma na areia,
E a lição a reter é que a vida é para viver tal como o amor,
E se por um ocaso a poesia que sinto a for transmitindo,
Não é por mérito próprio mas por vontade da própria poesia.
Os poetas nada sabem de poesia.
A poesia sabe tudo dos poetas.
Brinca com os poetas,
como se os poetas fossem grãos de areia escorrendo entre os dedos…
Mas é caprichosa!
Não permite que outrem desdenhe dos seus poetas….
Isso é que não!
Os poetas são seus!
Ama-os fogosamente …
no ardor da paixão inspira-os,
No amago da tristeza consola-os,
e nos dias de chuva fazem amor!
2012 Olinda Ribeiro
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Tenho a alma virada pro mar
Olinda Ribeiro
Tenho a alma virada pró mar
aquela imensidão
aquarelas brilhantes
baloiçando
ora sim ora não
piscares cadentes
bailar bailar bailar
em espuma e sal
e o mar
a minha alma a espelhar!
2009 Olinda Ribeiro 18 de Maio
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O tempo voou
Olinda Ribeiro
como é que já anoiteceu
se ainda agora amanheceu
chamaste por mim
e
o tempo voou
posso sem receio afirmar
que
o tempo se distraiu
e deixou passar as horas
pois
entre o toque da tua pele
o cheiro a talco
a canção de ninar
amamentar
ser seduzida por ti
passaram
apenas uns breves instantes!
1994 Lili (Olinda Ribeiro)10 de Outubro
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