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terça-feira, 7 de maio de 2013

PAULO LEMINSKI - aqui nesta pedra


aqui

nesta pedra

alguém sentou
olhando o mar

o mar
não parou
pra ser olhado

foi mar
pra tudo quanto é lado

*    *     *

Paulo Leminski in: 'Toda poesia' - p.68

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

PAULO LEMINSKI - "Já me matei faz muito tempo..."

Tela de Leonid Afremov
Vitebsk, União Soviética, 1955,  pintor israelense de origem bielorrussa.


Já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre, nunca o mesmo passo.

Morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso e clareia a alma.
Morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma

Paulo Leminski

sábado, 29 de setembro de 2012

PAULO LEMINSKI - dois poemas


o que o barro quer
Paulo Leminski



o barro
toma a forma
...que você quiser

você nem sabe
estar fazendo apenas
o que o barro quer


**


cheio de tudo
Paulo Leminski




sexta-feira, 30 de março de 2012

PAULO LEMINSKI - Erra uma vez

Erra uma vez
Paulo Leminski


Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

*    *    *

de 'La vie en close' (1991), livro póstumo

terça-feira, 20 de março de 2012

PAULO LEMINSKI - Desarranjos florais

Desarranjos Florais
Paulo Leminski


abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri
antigamente eu era eterno

*         *         *
In: Distraídos Venceremos

domingo, 20 de novembro de 2011

PAULO LEMINSKI - (Bem no fundo)

Bem no fundo
Paulo Leminski

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

*        *        *

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PAULO LEMINSKI - (escrevo...)


Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.

Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

*        *        * 

In:  'Distraídos venceremos', 1987

sábado, 22 de janeiro de 2011

PAULO LEMINSKI - CERIMÔNIA DO CHÁ


CERIMÔNIA DO CHÁ
Paulo Leminski

Ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo.

Ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo.
*       *        *