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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CAMÕES - eterno


Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

...Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei por quê.
 
Luís de Camões


In: Lírica, seleção, prefácio e notas de Massaud Moisés, S.Paulo, Cultrix, 1981
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sexta-feira, 22 de junho de 2012

LUÍS VAZ DE CAMÕES

Ao Desconcerto do Mundo
Luís Vaz de Camões

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

HISTÓRIA DE AMOR - INTERTEXTO


Soneto 88 
Luís Vaz de CAMÕES

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
que a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando-se com vê-la
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assim negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida,

começa de servir outros sete anos,
dizendo: - Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida!

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Jacó encontra-se com Raquel
Bíblia Sagrada, Gênesis, 29, 15-30)

Depois disse Labão a Jacó: 
- Acaso, por seres meu parente, irás servir-me de graça? Dize-me, qual será o teu salário?
Ora, Labão tinha duas filhas: Lia, a mais velha, e Raquel, a mais moça. Lia tinha olhos baços, porém Raquel era formosa de porte e de semblante. 
Jacó amava a Raquel, e disse:
- Sete anos te servirei por tua filha mais moça, Raquel. 
Respondeu Labão:
- Melhor é que eu ta dê, em vez de dá-la a outro homem, fica, pois, comigo.
Assim, por amor a Raquel, serviu Jacó sete anos; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava.
Disse Jacó a Labão:
- Dá-me minha mulher, pois já venceu o prazo, para que me case com ela.
Reuniu, pois, Labão todos os homens do lugar, e deu um banquete.  À noite, cnduziu Lia, sua filha, e a entregou a Jacó. E coabitaram. (...)
Ao amanhecer, viu que era Lia, por isso disse Jacó a Labão:
- Que é isso que me fizeste? Não te servi por amor a Raquel? Por que, pois, me enganaste?
Respondeu Labão:
- Não se faz assim em nossa terra, dar-se a mais nova antes da primogênita. Decorrida a semana desta, dar-te-emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me servirás.
Concordou Jacó, e se passou a semana desta; então Labão lhe deu por mulher Raquel, sua filha. (...)  E coabitaram.  Mas Jacó amava mais a Raquel do que a Lia; e continuou servindo a Labão por outros sete anos.

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