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segunda-feira, 19 de março de 2018

'Meditações', JOHN DONNE

Resultado de imagem para por quem os sinos dobram john donne

“Talvez aquele para quem estes sinos dobram esteja tão mal que ele sequer sabe que dobram por ele. E talvez eu possa me achar muito melhor do que sou, como fazem aqueles que me rodeiam, e ao ver o meu estado podem tê-lo feito dobrar por mim, e eu nem saiba disso. (...)”

“...toda a humanidade provém de um autor, e forma um único livro; quando alguém morre, um capítulo não é arrancado do livro mas traduzido para uma linguagem melhor, e cada capítulo deve ser assim traduzido (...)”

“Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido um promontório, ou perdido o solar de um amigo teu, ou o teu próprio. A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes perguntar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
**
JOHN DONNE – poeta inglês (1572-1631) in ‘Meditações’

*            *            *

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

WILLIAM H. AUDEN - Funeral Blues


O poema Funeral Blues foi escrito por Auden em 1936, como a Canção 9 do livro Twelve songs, e costuma ser citado como expressão exemplar de um forte sentimento de perda e de luto, individual ou coletivo. 
Representativo do controle extraordinário do verso e da habilidade na manipulação da métrica do autor, o poema ganhou popularidade internacional no filme "Quatro casamentos e um funeral", numa cena em que o personagem Matthew homenageia seu companheiro morto.

Funeral Blues foi musicado por Benjamin Britten. Segue o original e algumas traduções, que mostram como é difícil o desafio de se traduzir bem boa poesia.

Stop all the clocks, cut off the telephone, 
Prevent the dog from barking with a juicy bone, 
Silence the pianos and with muffled drum 
Bring out the coffin, let the mourners come. 

Let aeroplanes circle moaning overhead 
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'. 
Put crepe bows round the white necks of the public doves, 
Let the traffic policemen wear black cotton gloves. 

He was my North, my South, my East and West, 
My working week and my Sunday rest, 
My noon, my midnight, my talk, my song; 
I thought that love would last forever: I was wrong. 

The stars are not wanted now; put out every one, 
Pack up the moon and dismantle the sun, 
Pour away the ocean and sweep up the woods; 
For nothing now can ever come to any good. 

April 1936
___

Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.

Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.

Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.

É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.

(tradução de Nelson Ascher)
_______

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Não deixem o cão ladrar aos ossos suculentos,
Silenciem os pianos e com os tambores em surdina
Tragam o féretro, deixem vir o cortejo fúnebre.

Que os aviões voem sobre nós lamentando,
Escrevinhando no céu a mensagem: Ele Está Morto,
Ponham laços de crepe em volta dos pescoços das pombas da cidade,
Que os polícias de trânsito usem luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho, o meu descanso de domingo,
O meio-dia, a minha meia-noite, a minha conversa, a minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: enganei-me.

Agora as estrelas não são necessárias: apaguem-nas todas;
Emalem a lua e desmantelem o sol;
Despejem o oceano e varram o bosque;
Pois agora tudo é inútil.

(tradução de Maria de Lourdes Guimarães)
_______

Parem já os relógios, corte-se o telefone,
dê-se um bom osso ao cão para que ele não rosne,
emudeçam pianos, com rufos abafados
transportem o caixão, venham enlutados.

Descrevam aviões em círculos no céu
a garatuja de um lamento: Ele Morreu.
no alvo colo das pombas ponham crepes de viúvas,
polícias-sinaleiros tinjam de preto as luvas.

Era-me Norte e Sul, Leste e Oeste, o emprego
dos dias da semana, Domingo de sossego,
meio-dia, meia-noite, era-me voz, canção;
julguei o amor pra sempre: mas não tinha razão.

Não quero agora estrelas: vão todos lá para fora;
enevoe-se a lua e vá-se o sol agora;
esvaziem-se os mares e varra-se a floresta.
Nada mais vale a pena agora do que resta.

(tradução de Vasco Graça Moura)
______

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Não deixem o cão ladrar aos ossos suculentos,
Silenciem os pianos e abafem o tambor
Tragam o caixão, deixem passar a dor. 

Que os aviões voem sobre nós lamentando,
Escrevinhando no céu a mensagem: Ele Está Morto,
Ponham laços de crepe nos pescoços das pombas da região,
Que os polícias de trânsito usem luvas pretas de algodão. 

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho, o meu descanso de domingo,
O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha conversa, a minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: “não tinha razão”. 

Agora as estrelas não são necessárias: apaguem-nas todas;
Emalem a lua e desmantelem o sol;
Despejem o oceano e varram a floresta;
Pois agora nada mais de bom nos resta.

(tradução de ???)
_____

Parem os relógios, cale o telefone 
Evite o latido do cão com um osso 
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie 
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo. 

Que os aviões voem em círculos, gemendo 
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu. 
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua 
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu. 

Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste 
Meus dias úteis, meus finais-de-semana, 
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto. 
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado 

As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma 
Guarde a lua, desmonte o sol 
Despeje o mar e livre-se da floresta 
pois nada mais poderá ser bom como antes era. 

(tradução de ???)

*            *            *

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

NICANOR PARRA - Atenção

Tela de Leonid Afremov

Atenção
Nicanor Parra

Aos jovens apaixonados
Que cortejam belas donzelas 
Nos jardins dos mosteiros
Faço saber com toda a franqueza
Que no amor
                   por mais casto
Ou inocente que pareça no começo
costumam surgir complicações.

Concorda-se plenamente
Que o amor é mais doce que o mel.

Mas é bom advertir
Que no jardim há luzes e sombras
Além de sorrisos
No jardim há desgostos e lágrimas
No jardim não há só verdade
Mas também um pouco de mentira.

**
Atención

A los jóvenes aficionados
A cortejar muchachas buenas-mozas
En los jardines de los monasterios
Hago saber con toda franqueza
Que en el amor
                      por casto
Por inocente que parezca al comienzo
Sueien presentarse sus complicaciones.

Totalmente de acuerdo
Que el amor es más dulce que la miel.

Pero se les advierte
Que en el jardín hay luces y sombras
Además de sonrisas
En el jardín hay disgustos y lágrimas
En el jardín hay no sólo verdad
Sino también su poco de mentira.

*        *        *

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ROBIN WILLIAMS - O mundo menos alegre

Cena emblemática de "Sociedade dos Poetas Mortos"

Oh Captain, my Captain 
Walt Whitman
Estados Unidos, 31 de maio de 1819 – 26 de março de 1892

Ó capitão! Meu capitão! terminou a nossa terrível viagem,
O navio resistiu a todas as tormentas, 
o prêmio que buscávamos está ganho,
O porto está próximo, ouço os sinos,
toda a gente está exultante,
Enquanto segue com os olhos a firme quilha, 
o ameaçador e temerário navio;
Mas, oh coração! coração! coração!
Oh as gotas vermelhas e sangrentas,
onde no convés o meu capitão jaz,
tombado, frio e morto.

Ó capitão! meu capitão! 
Ergue-te e ouve os sinos;
Ergue-te – a bandeira agita-se por ti, o cornetim vibra por ti;
Para ti ramos de flores e grinaldas guarnecidas com fitas –
para ti as multidões nas praias,
Chamam por ti, as massas, agitam-se, 
os seus rostos ansiosos voltam-se;
Aqui capitão! querido pai!
Passo o braço por baixo da tua cabeça!
Não passa de um sonho que, no convés,
Tenhas tombado frio e morto.

O meu capitão não responde, 
os seus lábios estão pálidos e imóveis,
O meu pai não sente o meu braço, 
não tem pulso nem vontade,
O navio ancorou são e salvo, 
a viagem terminou e está concluída,
O navio vitorioso chega da terrível viagem 
com o objetivo ganho:
Exultai, ó praias, e tocai, ó sinos!
Mas eu com um passo desolado,
Caminho no convés onde jaz o meu capitão,
Tombado, frio e morto.

* *

O Captain! My Captain!
Walt Whitman

O Captain! my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will,
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;
Exult O shores, and ring O bells!
But I with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

*        *        *

Fonte: Leaves of Grass (David McKay, 1891)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ALEJANDRA PIZARNICK - A jaula

A Jaula
Alejandra Pizarnik - poeta argentina
Buenos Aires, 29 de abril de 1936 — 25 de setembro de 1972

Lá fora faz sol.
Não é mais que um sol
mas os homens olham-no
e depois cantam.

Eu não sei do sol.
Sei a melodia do anjo
e o sermão quente
do último vento.
Sei gritar até a aurora
quando a morte pousa nua
em minha sombra.

Choro debaixo do meu nome.
Aceno lenços na noite
e barcos sedentos de realidade
dançam comigo.
Oculto cravos
para escarnecer meus sonhos enfermos.

Lá fora faz sol.
Eu me visto de cinzas.
**

LA JAULA

Afuera hay sol. 
No es más que un sol 
pero los hombres lo miran 
y después cantan. 

Yo no sé del sol. 
Yo sé la melodía del ángel 
y el sermón caliente 
del último viento. 
Sé gritar hasta el alba 
cuando la muerte se posa desnuda 
en mi sombra. 

Yo lloro debajo de mi nombre. 
Yo agito pañuelos en la noche y barcos sedientos de realidad 
bailan conmigo. 
Yo oculto clavos 
para escarnecer a mis sueños enfermos. 

Afuera hay sol. 
Yo me visto de cenizas. 

*          *          *

sexta-feira, 4 de julho de 2014

ALEXANDRE O'NEILL - Amigo

Amigo
Alexandre O'Neill

Mal nos conhecemos 
Inauguramos a palavra «amigo». 

«Amigo» é um sorriso 
De boca em boca, 
Um olhar bem limpo, 
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece, 
Um coração pronto a pulsar 
Na nossa mão! 

«Amigo» (recordam-se, vocês aí, 
Escrupulosos detritos?) 
«Amigo» é o contrário de inimigo! 

«Amigo» é o erro corrigido, 
Não o erro perseguido, explorado, 
É a verdade partilhada, praticada. 

«Amigo» é a solidão derrotada! 

«Amigo» é uma grande tarefa, 
Um trabalho sem fim, 
Um espaço útil, um tempo fértil, 
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa! 

*        *        *

In:  'No Reino da Dinamarca'

domingo, 15 de junho de 2014

EDUARDO GALEANO - Outro músculo secreto

Outro músculo secreto 
Eduardo Galeano – In: “O livro dos abraços”

Nos últimos anos, a Avó estava se dando muito mal com o próprio corpo. 
Seu corpo, corpo de aranhinha cansada, negava-se a segui-la. — Ainda bem que a mente viaja sem passagem — dizia. 
Eu estava longe, no exílio.

Em Montevidéu, a Avó sentiu que tinha chegado a hora de morrer. 
Antes de morrer, quis visitar a minha casa com corpo e tudo. 
Chegou de avião, acompanhada pela minha tia Emma.

Viajou entre as nuvens, entre as ondas, convencida de que estava indo de barco; e quando o avião atravessou uma tempestade, achou que estava numa carruagem, aos pulos, sobre a estrada de pedras. 
Ficou em casa um mês. 
Comia mingaus de bebê e roubava caramelos. 
No meio da noite despertava e queria jogar xadrez ou brigava com meu avô, que tinha morrido há quarenta anos. 
Às vezes tentava alguma fuga até a praia, mas suas pernas se enroscavam antes que ela chegasse na escada. No final, disse: 
— Agora, já posso morrer.

Disse que não ia morrer na Espanha. 
Queria evitar que eu tivesse a trabalheira burocrática, o transporte do corpo, aquilo tudo: disse que sabia muito bem que eu odiava a burocracia. 
E regressou a Montevidéu. 
Visitou a família toda, casa por casa, parente por parente, para que todos vissem que tinha regressado muito bem e que a viagem não tinha culpa. 

E então, uma semana depois de ter chegado, deitou-se e morreu.
Os filhos jogaram as suas cinzas debaixo da árvore que ela tinha escolhido. 

Às vezes, a Avó vem me ver nos sonhos. Eu caminho na beira de um rio e ela é um peixe que me acompanha deslizando suave, suave, pelas águas.


*            *            *

quinta-feira, 1 de maio de 2014

LA INVITACION

Da página "Sonqoñan", via TelMont


LA  INVITACION
Oriak Mountain Dreamer–Sabio de una tribu norteamericana

No me interesa lo que haces para ganarte la vida. Quiero saber lo que ansías, y si te atreves a soñar en satisfacer el deseo de su corazón. 
No me interesa la edad que tengas. Quiero saber si va a correr el riesgo de parecer un tonto por amor, por tus sueños, por la aventura de estar vivo.

No me interesa qué planetas están en cuadratura con tu Luna. Quiero saber si has tocado el centro de tu pesadumbre, si se le ha abierto las traiciones de la vida o has marchitado y cerrado por miedo a más dolor!

Quiero saber si puedes sentarte con el dolor, el mío o el tuyo, sin intentar esconderlo, desvanecerlo o arreglarlo. Quiero saber si puedes estar con alegría, la mía o la tuya, si puedes bailar con locura y permitir que el éxtasis te llene hasta la punta de los dedos de manos y pies sin advertirnos que tener cuidado, ser realista, o recordar la limitaciones del ser humano.

No me interesa si la historia que me cuentas es verdadera. Quiero saber si puedes desilusionar a otros para serte fiel a ti mismo, si puedes soportar la acusación de traición y no traicionar a tu propia alma.

Quiero saber si puedes ver la belleza incluso cuando no es bella todos los días, y si puedes originar tu vida desde la presencia divina. Quiero saber si puedes vivir con el fracaso, el tuyo y el mío, y no obstante pararte a la orilla de un lago y gritarle a la plateada de la luna llena, "¡Sí!"

No me interesa saber dónde vives o cuánto dinero tienes, quiero saber si puedes levantarte después de una noche de pesar y desesperación, cansado y golpeado hasta los huesos, y hacer lo que hay que hacer para los niños.

No me interesa quién eres, cómo llegaste a estar aquí. Quiero saber si te pararás en el centro del fuego conmigo sin rehuir. 
No me interesa dónde o qué o con quién has estudiado. Quiero saber lo que te sostiene desde adentro cuando todo lo demás desaparece. Quiero saber si puedes estar solo contigo mismo, y si verdaderamente te agrada la compañía que buscas en los momentos vacíos.
*            *            *

MAIAKOVSKI - Estrela

Estrela
Vladimir Maiakovski

Escutai! Se as estrelas se acendem
será por que alguém precisa delas?
Por que alguém as quer lá em cima?
Será que alguém por elas clama,
por essas cuspidelas de pérolas?

Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia,
no coração dos turbilhões de poeira;
ei-lo, pois, que corre para o bom Deus,
temendo chegar atrasado,
e que lhe beija chorando
a mão fibrosa.

Implora! Precisa absolutamente
duma estrela lá no alto!
Jura! Que não poderia mais suportar
essa tortura de um céu sem estrelas!
Depois vai-se embora,
atormentado, mas bancando o gaiato
e diz a alguém que passa:

Muito bem! Assim está melhor agora, não é?
Não tens mais medo, hein?

Escutai, pois! Se as estrelas se acendem
é porque alguém precisa delas.
É porque, em verdade, é indispensável
que sobre todos os tetos, cada noite,
uma única estrela, pelo menos, se alumie.

*        *        *

Tradução de E. Carrera Guerra

terça-feira, 25 de março de 2014

JACQUES PRÉVERT - Les feuilles mortes



Les feuilles mortes
Originalmente composto em francês, em 1945,  o poema de Jacques Prévert "Les feuilles mortes" é musicado pelo compositor franco-húngaro Joseph Kosma.

Em 1946, Yves Montand (com Irène Joachim) canta "Les feuilles mortes" no filme  "Les Portes de la Nuit" .

Tela de Leonid Afremov

Poema de Jacques Prévert

Oh! je voudrais tant que tu te souviennes 
Des jours heureux où nous étions amis 
En ce temps-là la vie était plus belle, 
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui 
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle 
Tu vois, je n'ai pas oublié... 
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle, 
Les souvenirs et les regrets aussi 
Et le vent du nord les emporte 
Dans la nuit froide de l'oubli. 
Tu vois, je n'ai pas oublié 
La chanson que tu me chantais. 

Refrain: 
C'est une chanson qui nous ressemble 
Toi, tu m'aimais et je t'aimais 
Et nous vivions tous deux ensemble 
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais 
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment 
Tout doucement, sans faire de bruit 
Et la mer efface sur le sable 
Les pas des amants désunis. 

Les feuilles mortes se ramassent à la pelle, 
Les souvenirs et les regrets aussi 
Mais mon amour silencieux et fidèle 
Sourit toujours et remercie la vie 
Je t'aimais tant, tu étais si jolie, 
Comment veux-tu que je t'oublie? 
En ce temps-là, la vie était plus belle 
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui 
Tu étais ma plus douce amie 
Mais je n'ai que faire des regrets 
Et la chanson que tu chantais 
Toujours, toujours je l'entendrai!

*            *            *



terça-feira, 18 de março de 2014

SHAKESPEARE - Soneto 18

Recebido da amiga Chrysley - facebook

William Shakespeare

» Sonnet 18

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date;

Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;

But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,

When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.

**

~ Soneto 18 ~ (*)

Se te comparo a um dia de verão?
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

*            *            *
(*) Gosto dessa tradução.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

F. DOSTOIÉVSKI - "Noites brancas" (trechos)


Se não há outra vida, então é preciso construí-la a partir desses pedaços. 
E no entanto, é uma outra coisa que a alma pede e quer! 

E em vão o sonhador remexe, como que nas cinzas, em seus velhos sonhos, procurando nessas cinzas ao menos uma centelha para soprá-la e, através do fogo renovador, aquecer o coração esfriado e ressuscitar novamente nele tudo o que antes era tão belo, que tocava a alma. (...)

E me pergunto: onde é que estão os seus sonhos? 
E balançando a cabeça digo: como os anos passam depressa!
E novamente me pergunto: mas o que você fez dos seus anos?
(p. 43 e 44)

**
Que seja claro o seu céu, que seja luminoso e sereno o seu lindo sorriso; abençoada seja você pelo momento de júbilo e felicidade que concedeu a um coração solitário e agradecido!
Meu Deus! Um momento inteiro de júbilo! Não será isto o bastante para uma vida inteira?...
(p. 82)
*            *            *

Fiódor Dostoiévski in "Noites Brancas" - Ed. 34

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Vídeo inspirado em publicação do Ouriço

"Acabo de fazer este vídeo inspirada em todas as sensações deste belo poema!
Aqui fica o link para quem quiser visitar..." (Anônimo)

http://youtu.be/uiRbV0ein48


Segundo comentário no post, este vídeo foi inspirado no poema de Mark O'Brien, tradução de Júlia V, publicado aqui em  SÁBADO, 6 DE ABRIL DE 2013, no marcador LÍNGUA DE FORA - autores estrangeiros.

Parabéns a Rosinha Veiga pelo lindo trabalho.



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

GARCIA LORCA - facebook


Recebido de TelMont - facebook, 16 de janeiro 2014

Foto: “E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.
Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.
Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua”

Federico García Lorca



art"helena georgiou"


“E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.
Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.
Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua”

Federico García Lorca

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

WISLAWA SZYMBORSKA - Sob uma estrela...

Sob uma estrela pequenina
Wislawa Szymborska - 
Poeta polonesa, Prêmio Nobel Literatura 1996


Me desculpe o acaso por chamá-lo necessidade.
Me desculpe a necessidade se ainda assim me engano.
Que a felicidade não se ofenda por tomá-la como minha.
Que os mortos me perdoem por luzirem fracamente na memória.
Me desculpe o tempo pelo tanto de mundo ignorado por segundo.
Me desculpe o amor antigo por sentir o novo como primeiro.
Me perdoem, guerras distantes, por trazer flores para casa.
Me perdoem, feridas abertas, por espetar o dedo.

Me desculpem os que clamam das profundezas pelo disco de minuetos.
Me desculpem a gente nas estações pelo sono das cinco da manhã.
Sinto muito, esperança açulada, se às vezes me rio.
Sinto muito, desertos, se não lhes levo uma colher de água.
E você, falcão, há anos o mesmo, na mesma gaiola,
fitando sem movimento sempre o mesmo ponto,
me absolva, mesmo se você for um pássaro empalhado.
Me desculpe a árvore cortada pelas quatro pernas da mesa.

Me desculpem as grandes perguntas pelas respostas pequenas.
Verdade, não me dê excessiva atenção.
Seriedade, me mostre magnanimidade.
Ature, segredo do ser, se eu puxo os fios das suas vestes.
Não me acuse, alma, por tê-la raramente.
Me desculpe tudo, por não estar em toda parte.
Me desculpem todos, por não saber ser cada um e cada uma.

Sei que, enquanto viver, nada me justifica
já que barro o caminho para mim mesma.
Não me julgues má, fala, por tomar emprestado palavras patéticas,
e depois me esforçar para fazê-las parecer leves.

*        *        *