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terça-feira, 30 de junho de 2015

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

L.F.VERÍSSIMO - CÊGÓSDIVIN?



Degustação de vinho em Minas Gerais
Luís Fernando Veríssimo


- Hummm...

- Hummm...

- Eca!!!

- Eca?! Quem falou Eca?

- Fui eu, sô! O senhor num acha que esse vinho tá com um gostim estranho?

- Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de
trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas...

- Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo ?!

- Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?

- Cebesta, eu não! Sou isso não senhor !! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!

- Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!

- O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é ?

- Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como  segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então...

- E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!

- O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no...

- Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!

- Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens...

- Hã-hã... Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta...

- O senhor poderia começar com um Beaujolais!

- Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!

- Então, que tal um mais encorpado?

- Óia lá, ocê tá brincano com fogo...

- Ou, então, um suave fresco!

- Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada!

- Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!

- Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, messs! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima  com brabuleta...

- Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?

- E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?

- Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?

- Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia!

- Mole e redondo, com bouquet forte?

- Agora, ocê pulô o corguim! E é um... e é dois... e é treis! Num corre, não, fiodaputa! Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!... 


*            *            *

OSCAR NIEMEYER (2)






quarta-feira, 28 de novembro de 2012

NELSON MORAES - Um advérbio na madrugada



Nelson Moraes - do interessantíssimo blog 'Ao mirante, Nelson".

(Publiquei esse continho em 2004 e, sei lá, achei que era o caso de um replay)


UM ADVÉRBIO NA MADRUGADA

Vanderley apresentava um programa de entrevistas "culturais" no horário da madrugada, que dava traço de audiência – mais uma consideração da emissora à sua condição de repórter social decadente. Vanderley mantinha...também o hábito de utilizar "literalmente" fora do contexto. "Estou literalmente cansado". "O cabelo de nossa entrevistada está literalmente mais curto". Isso inclusive sempre foi motivo de secreta chacota por parte da equipe do programa, dos técnicos à produção.

Ontem à noite, ao entrevistar um professor de português aposentado, Vanderley teve – na conversa em off que antecedia a entrevista – a atenção chamada pelo intelectual, que em voz baixa lhe corrigiu o uso do advérbio: "Significa ao pé da letra. Não é sinônimo de 'realmente'. Serve para tirar de algum termo sua condição de metáfora. Se a palavra tem duplo sentido, o 'literalmente' vem demonstrar que o termo está sendo usado em seu conceito original, denotativo." "Sei, sei", disse Vanderley entre lacônico e constrangido, passando os dedos pelos cabelos avermelhados de henna.

A entrevista seguinte foi com um cientista maluco que tinha inventado um eletrodo a partir de água mineral. Uma faísca da engenhoca escapuliu, pegou na cortina do cenário, alastrou-se até o papel manteiga que cobria um dos refletores e que já estava superaquecido; o pequeno foco não pôde ser controlado e logo o estúdio estava em chamas. A porta por algum motivo não quis destrancar e o pânico irradiou-se tão rápido quanto as labaredas. Sem lembrar-se do número dos bombeiros, Vanderley só teve tempo de ligar de seu celular para a casa do produtor do programa – e, em meio ao caos, um instante de autorrealização: utilizar corretamente o advérbio. A bateria do celular já acabando e ele só pôde gritar: "O programa está literalmente pegando fogo!"

A ligação caiu e o produtor voltou a dormir, satisfeito, imaginando que a audiência deveria estar reagindo.

*               *               *

Post da amiga Claudia Lyra no Facebook

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

MILLÔR FERNANDES - A evidência (Emmanuel Vão Gôgo)


Ilustração: Custódio
A Evidência
Millôr Fernandes


Ainda que pasmem os leitores, ainda que não acreditem e passem, doravante, a chamar este escritor de mentiroso e fátuo, a verdade é que, certo dia que não adianta precisar, entraram num restaurante de luxo, que não me interessa dizer qual seja, um ratinho gordo e catita e um enorme tigre de olhar estriado e grandes bigodes ferozes. Entraram e, como sucede nas histórias deste tipo, ninguém se espantou, muito menos o garçon do restaurante. Era apenas mais um par de fregueses. Entrados os dois, ratinho e tigre, escolheram uma mesa e se sentaram. O garçon andou de lá prá cá e de cá prá lá, como fazem todos os garçons durante meia hora, na preliminar de atender fregueses mas, afinal, atendeu-os, já que não lhe restava outra possibilidade, pois, por mais que faça um garçon, acaba mesmo tendo que atender seus fregueses. Chegou pois o garçon e perguntou ao ratinho o que desejava comer. Disse o ratinho, numa segurança de conhecedor - "Primeiro você me traga Roquefort au Blinnis. Depois Couer de Baratta filet roti à la broche pommes dauphine. Em seguida Medaillon Lagartiche Foie Gras de Strasbourg. E, como sobremesa, me traga um Parfait de biscuit Estraguèe avec Cerises Jubilée. Café. Beberei, durante o jantar, um Laffite Porcherrie Rotschild 1934.

— Muito bem - disse o garçon. E, dirigindo-se ao tigre — E o senhor, que vai querer?
— Ele não quer nada — disse o ratinho.
— Nada? — tornou o garçon — Não tem apetite?
— Apetite? Que apetite? — rosnou o ratinho enraivecido — Deixa de ser idiota, seu idiota! Então você acha que se ele estivesse com fome eu ia andar ao lado dele?

MORAL: É NECESSÁRIO MANTER A LÓGICA MESMO NA FANTASIA.

*            *            *

Millôr Fernandes, ou Emmanuel Vão Gôgo, nosso grande humorista, pensador, chargista, tradutor, escritor, teatrólogo, jornalista, pintor, é figura indispensável quando se fala de inteligência nacional.

Texto extraído do livro “Fábulas fabulosas”, José Álvaro, Editor — Rio de Janeiro, 1964, pág. 89.



Fonte: © Projeto Releituras

domingo, 27 de maio de 2012

quinta-feira, 24 de maio de 2012

MILLÔR FERNANDES - De Deus para Eva

Discurso de Deus a Eva
Millôr Fernandes

"...Eva, de repente, descobrindo uma bela cascata, resolveu tomar um banho de rio. A criação inteira veio então espiar aquela coisa linda que ninguém conhecia.
E quando Eva saiu do banho, toda molhada, naquele mundo inaugural, naquela manhã primeval, estava realmente tão maravilhosa que os anjos,... arcanjos e querubins, ao verem a primeira mulher nua sobre a Terra, não se contiveram, começaram a bater palmas e a gritar, entusiasmados: "O AUTOR! O AUTOR! O AUTOR!".

"P.S. - Este discurso do Todo-Poderoso está sendo divulgado pela primeira vez em todos os tempos, aqui neste livro. Nunca foi publicado antes, nem mesmo pelo seu órgão oficial, A BÍBLIA."


"Minha cara,
Eu te criei porque o mundo estava meio vazio, e o homem, solitário.
O Paraíso era perfeito e, portanto, sem futuro.
As árvores, ninguém para criticá-las; os jardins, ninguém para modificá-los; as cobras, ninguém para ouvi-las.
Foi por isso que eu te fiz.
Ele nem percebeu e custará séculos para percebê-lo. É lento, o homenzinho.
Mas, hás de compreender, foi a primeira criatura humana que fiz em toda a minha vida. Tive que usar argila, material precário, embora maleável.

Já em ti usei a cartilagem de Adão, matéria mais difícil de trabalhar, mais teimosa, porém mais nobre.
Caprichei em tuas cordas vocais, poderás falar mais, e mais suavemente.
Teu corpo é mais bem acabado, mais liso, mais redondo, mais móvel, e nele coloquei alguns detalhes que, penso, vão fazer muito sucesso pelos tempos a fora.

Olha Adão enquanto dorme; é teu. Ele pensará que és dele. Tu o dominarás sempre. Como escrava, como mãe, como mulher, concubina, vizinha, mulher do vizinho.

Os deuses, meus descendentes; os profetas, meus public relations; os legisladores, meus advogados; proibir-te-ão como luxúria, como adultério, como crime, e até como atentado ao pudor! Mas eles próprios não resistirão e chorarão como santos depois de pecarem contigo; como hereges, depois de, nos teus braços, negarem as próprias crenças; como traidores, depois de modificarem a Lei para servir-te. E tu, só de meneios, viverás.

Nasces sábia, na certeza de todos os teus recursos, enquanto o Homem, rude e primário, terá que se esforçar a vida inteira para adquirir um pouco de bens que depositará humildemente no teu leito. Vai!

Quando perguntei a ele se queria uma Mulher, e lhe expliquei que era um prazer acima de todos os outros, ele perguntou se era um banho de rio ainda melhor. Eu ri. O homem é um simplório. Ou um cínico. Ainda não o entendi bem, eu que o fiz, imagina agora os seus semelhantes.

Olha, ele acorda. Vai. Dá-me um beijo e vai. Hmmmm, eu não pensava que fosse tão bom. Hmmmm, ótimo! Vai, vai! Não é a mim que você deve tentar, menina!

Vai, ele acorda. Vem vindo para cá. Olha a cara de espanto que faz. Sorri!

Ah, eu vou me divertir muito nestes próximos séculos!"

*          *          *

domingo, 22 de abril de 2012

DESCONTRAINDO...


Na casa da Vó
De 'Como Eu Me Sinto Quando...', site de Marcelo Cidral



Tudo Fácil...



Aqui tá difícil...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

JUSTA E POÉTICA SENTENÇA -

Sentença de um juiz de Minas

Esta aconteceu em Minas Gerais (Carmo da Cachoeira).

O Juiz Ronaldo Tovani, 31 anos, substituto da Comarca de Varginha, ex-promotor de justiça, concedeu liberdade provisória a um sujeito preso em flagrante por ter furtado duas galinhas e ter perguntado ao delegado "desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?".
O magistrado lavrou então sua sentença em versos.

No dia cinco de outubro
Do ano ainda fluente
Em Carmo da Cachoeira
Terra de boa gente
Ocorreu um fato inédito
Que me deixou descontente.

O jovem Alceu da Costa
Conhecido por "Rolinha"
Aproveitando a madrugada
Resolveu sair da linha
Subtraindo de outrem
Duas saborosas galinhas.

Apanhando um saco plástico
Que ali mesmo encontrou
O agente muito esperto
Escondeu o que furtou
Deixando o local do crime
Da maneira como entrou.

O senhor Gabriel Osório
Homem de muito tato
Notando que havia sido
A vítima do grave ato
Procurou a autoridade
Para relatar-lhe o fato.

Ante a notícia do crime
A polícia diligente
Tomou as dores de Osório
E formou seu contingente
Um cabo e dois soldados
E quem sabe até um tenente.

Assim é que o aparato
Da Polícia Militar
Atendendo a ordem expressa
Do Delegado titular
Não pensou em outra coisa
Senão em capturar.

E depois de algum trabalho
O larápio foi encontrado
Num bar foi capturado
Não esboçou reação
Sendo conduzido então
À frente do Delegado.

Perguntado pelo furto
Que havia cometido
Respondeu Alceu da Costa
Bastante extrovertido
Desde quando furto é crime
Neste Brasil de bandidos?

Ante tão forte argumento
Calou-se o delegado
Mas por dever do seu cargo
O flagrante foi lavrado
Recolhendo à cadeia
Aquele pobre coitado.

E hoje passado um mês
De ocorrida a prisão
Chega-me às mãos o inquérito
Que me parte o coração
Solto ou deixo preso
Esse mísero ladrão?

Soltá-lo é decisão
Que a nossa lei refuta
Pois todos sabem que a lei
É pra pobre, preto e puta...
Por isso peço a Deus
Que norteie minha conduta.

É muito justa a lição
Do pai destas Alterosas.
Não deve ficar na prisão
Quem furtou duas penosas,
Se lá também não estão presos
Pessoas bem mais charmosas.

Afinal não é tão grave
Aquilo que Alceu fez
Pois nunca foi do governo
Nem sequestrou o Martinez
E muito menos do gás
Participou alguma vez.

Desta forma é que concedo
A esse homem da simplória
Com base no CPP
liberdade provisória
Para que volte para casa
E passe a viver na glória.

Se virar homem honesto
E sair dessa sua trilha
Permaneça em Cachoeira
Ao lado de sua família
Devendo, se ao contrário,
Mudar-se para Brasília!

*          *          *
Em minha opinião, sentença justíssima! rsrsrsrsrsrs...

domingo, 11 de março de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Da série 'ENTREOUVIDO POR AÍ'

“Quer romance? Compra um livro!”
Marido para a mulher num bar do Flamengo (Rio)
Enviada por Monique Limão
**

“- Vai de vassoura, madame?”
“- Não, obrigada, estou de carro”.
Diálogo entre um vendedor ambulante de vassouras e uma freguesa distraída que saía do Hortifruti do Leblon (Rio)
Enviada por Viviane de Amorim
**
“- Quem é essa chata dessa Solange que vive te alugando no MSN o dia todo?”
“- Minha mãe!”
Conversa de dois colegas de trabalho
Enviada por Vitório Paulo
**

“Isto aqui é o palácio das mágicas!”
Marido para a esposa numa loja de cintas e outros produtos femininos.
Enviada por Verônica Maria
**

"Você não acha que essa bolsa tá me engordando?"
Cliente a uma vendedora de uma loja na Barra (Rio) enquanto se olha no espelho com a dita bolsa no ombro.
Enviada por Cristina Azevedo
**

"Eu hein, amiga! A minha vista está cansada, mas a sua está exausta!"
Duas garotas no hall do Hotel Ouro Verde em Copacabana, falando de um rapaz que (só) de longe parecia bonito.
Enviada por Laura Moreira
**

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

LÁ TAMBÉM TEM ESSAS COISAS...

Pérolas políticas aparecem em qualquer país, até mesmo na França.
Melhor ainda é o comentário do jornalista...



Parmi les autres auteurs de ces phrases drôles, volontairement ou non, le patron des députés UMP à l'Assemblée, Christian Jacob : "Le socialisme c'est vraiment une île au milieu des terres".
Ancien militant agricole, Jacob n'a pas vu la mer depuis longtemps... (kkkkkkk!!!!!!)

*            *            *

domingo, 30 de outubro de 2011

ALIVIANDO...

Tá legal, tá legal... O post anterior foi esquisito mesmo. Então, vamos aliviar com umas coisinhas que encontrei naquelas agendas antigas... Lá vai:

A vingança de Eva

"Exijo três coisas num homem: que seja bonito, impiedoso e burro."  (Dorothy Parker - escritora)

"Se os homens soubessem de que as mulheres acham graça, jamais dormiriam conosco. (Erica Jong - escritora)

"A desilusão masculina mais comum é descobrir que a mulher pensa" (Margareth Mitchell - escritora)

"O homem é um animal doméstico que, se tratado com firmeza e doçura, pode ser treinado para fazer quase tudo." (Jilly Cooper -  jornalista)

"Alguns dos meus melhores galãs foram cachorros e cavalos." (Elizabeth Taylor - atriz)

"Uma das coisas que a política me ensinou é que os homens não são um sexo racional nem razoável" ( Margareth Thatcher - ex-primeira-ministra inglesa)

"Dê uma mãozinha a um homem e ele logo a passará em você." (Mae West - atriz)

"Pode imaginar um mundo sem homens? Nada de crimes e um monte de mulheres gordas e felizes." (Nicole Hollander - escritora)

"Maridos, vejam pelo lado bom: quanto mais lotado um guarda-roupa, menor a chance de caber alguém lá dentro." (De uma peça publicitária)

*            *            *