domingo, 15 de maio de 2011

MY WAY - FRANK SINATRA e L.F.VERÍSSIMO!



MY WAY DO MEU JEITO
Luís Fernando Veríssimo

Agora que o fim está perto

E se aproxima a ultima cortina, Meus amigos,
sei que estou certo: Minha vida não foi rotina.
Vivi uma vida cheia,
Viajei pra não botar defeito.
E mais, mais do que isto,
Fiz do meu jeito.


Remorsos, tive alguns,
Mas, pensando bem, nem foram tantos.
Fiz o que tinha que fazer
Mesmo que aos trancos e barrancos.
Planejei cada passo tomado,
Em cada estrada ou caminho estreito,
Mas mais, mais do que isto,
Fiz do meu jeito.


Sim, sei que há quem diga
Que o olho foi maior que a barriga.
Mas em nenhum momento hesitei,
Engoli tudo e não regurgitei,
Enfrentei tudo
E não fiquei mudo.
E fiz do meu jeito.
Amei, ri e chorei.
Tive a minha cota de desengano,
Mas agora, que as lágrimas secaram
Tudo me parece tão mexicano...
Pensar que fiz tudo isso
E, posso dizer, não sem muito peito.
Não mesmo, não este aqui:
Fiz do meu jeito.


Pois afinal um homem o que é
Se não sabe ficar de pé
E dizer o que realmente acredita
Sem temer a desdita?
Os autos estão aí
Pra mostrar que não fugi.
E fiz do meu jeito.


(Mas com a última cortina pendendo
Eis o mote para um psiquiatra.
Trocaria o meu jeito correndo
Pelo jeito do Frank Sinatra).

*          *          *

sexta-feira, 13 de maio de 2011

GRACILIANO RAMOS

Sobre o processo de escrever
Graciliano Ramos

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso: a palavra foi feita para dizer.

*            *            *

BLOG INTERDITADO...

Caramba! Fiquei dois dias sem acesso ao MEU blog. Queria postar umas coisas e acabei por esquecer, por causa do bloqueio, ou será "blogueio"? - desculpe o trocadilho infame.
Apareceu uma mensagem esquisita dizendo que o blog não estava disponível. Vai saber por quê...
Até procurei saber, mas não obtive resultado a não ser um tal de erro Bx.
Insisti na pesquisa e verifiquei que foram muitos blogs que ficaram fora. Só que eu não sabia como enviar a reclamação do modo com os outros blogueiros fizeram.
Quem manda ser uma anta em matéria de informática? Vai estudar, sô! Tá fazendo nada mesmo!...
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Enfim, a "coisa" se restabeleceu sozinha. Mistéééérios da computação...
Então, tô aqui de novo.
Mas fiquei tão decepcionada  que cadastrei um novo blog no spaceblog e.. me dei mal. Não consegui fazer um lay-out legal, mas o nome ficou registrado e não posso usá-lo no momento.
Sou mesmo uma besta... sniff... sniff...
Vou tentar continuar neste blog, se não conseguir, o jeito é ir para o space. (Xiii... esse foi sem querer. Certamente "ir para o space" não é nada bom).
Revolta, revolta.... kkkkkkkk!!!!!!!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

MÁRIO QUINTANA


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!

Trago-te palavras, apenas...
e que estão escritas do lado de fora do papel...
Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro,
ao vento da Poesia...
como uma pobre lanterna
que incendiou!

 
Mário Quintana - (do livro "Quintana de bolso", Editora LP&M Pocket - Porto Alegre (RS), 2006, pág. 59, seleção de Sergio Faraco.)


sábado, 7 de maio de 2011

LISPECTOR, PIAFF e CÁSSIA ELLER



QUE TRIO !...
CLARICE LISPECTOR ESCREVEU,
EDITH PIAFF COMPÔS,
CÁSSIA ELLER CANTOU

"E AGORA, JOSÉ?" - DRUMMOND

VINÍCIUS DE MORAES - Dia da Criação (Porque hoje é sábado)

CONVERSA DE SÁBADO


Um sábado muito esquisito.
Fiz muitas tarefas rotineiras - arrumação, limpeza, cuidado com as roupas,  essas coisas de dona de casa. Gosto desse trabalho, de cuidar da minha casa, de cozinhar para mim mesma, enfim, não está aí a esquisitice deste dia.
O que aconteceu é que hoje, particularmente, não sei por que - e não sei, mesmo - meus pensamentos pareciam se sacudir enquanto eu trabalhava com as mãos. Uma espécie de flashes absurdos, misturando o presente ao passado, trazendo a lembrança de momentos não muito agradáveis. Por ser uma canceriana típica, tenho muito cuidado com essas incursões ao passado para não me perder por lá (rsrsrsrs).
Miguel de Cervantes tem uma frase que acho perfeita: "Seja o passado, passado; tome-se outra vereda e pronto."
Bom, esse registro era necessário, mas não pretendo me estender. Em minha opinião, nossos fantasmas são "nossos" fantasmas e não têm por tarefa assombrar mais ninguém.
Fora esse incidente de hoje, tenho mantido um certo silêncio sobre tudo. Proposital. Estou um pouco cansada das máscaras sociais, inclusive das minhas.
Percepção ampliada, cuidados redobrados é o que hoje considero fundamental para a convivência.
A finalidade deste blog (se é que tem alguma) é me distrair. Por isso, quando encontro algo que considero interessante, faço o registro. Foi sempre assim com as minhas agendas. Já disse que a diferença agora é que mais pessoas poderão saber o que se passa. Sim, mas e daí? Se tenho algo a esconder - e quem não tem? - escondido está porque não interessa.
Há alguns dias, uma propaganda do canal GNT me chamou a atenção. Gosto do jogo de palavras.

'PARA EMAGRECER...      

                                   COMA  (na tela,  um lindo prato de salada)

PARA RELAXAR...            
                                  GRITE

PARA SER PERFEITA...     
                                  ERRE

PARA SER VOCÊ...
                                  MUDE'

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Arthur Rubinstein - Chopin Nocturne No 2, Op 27 in D flat


AS MÃOS DE CHOPIN

Elmo Gomes


A música tão triste que se evola,
no ar flutua, num langor de sono.
Suavíssima...em notas de abandono,
penetra na minh´alma e me consola.

A dor suprema perde o seu entono,
a mágoa imensa, aos poucos, se acrisola,
devagar, como a lágrima que rola,
como caindo vão folhas de outono.


É Chopin que das sombras aparece
na música sublime como prece
e as mãos rezam nas teclas branco-pretas.



E tudo é sonho num etéreo plano.
Sobre o espectral teclado do piano,
adeja um par de brancas borboletas...


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segunda-feira, 2 de maio de 2011

MANUEL BANDEIRA - Canção do vento...

Canção do vento e da minha vida
Manuel Bandeira

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos,
E varia as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia de afetos e de mulheres.

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

Manuel Bandeira(de Estrela da Manhã, em Antologia Poética, org. Emmanuel de Moraes, José Olympio Editora, Rio, 1986)
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RODA VIVA - Chico Buarque

LONDON, LONDON- Caetano Veloso



É... Londres esteve em pauta semana passada.
Além do "casamento real", teve também a visita da minha filhota Letícia (aliás, para mim, o acontecimento mais importante, rsrssrs) e ela voltou encantada com a cidade e o país.
Então, aí está um registro bem brasileiro.