quarta-feira, 6 de julho de 2011

JOÃO UBALDO RIBEIRO - Observações de um usuário


Observações de um usuário
João Ubaldo Ribeiro - O Estado de S.Paulo

A língua inglesa nunca teve academias para formular gramáticas oficiais e certamente seria afogado no Tâmisa ou no Hudson o primeiro que se atrevesse a tentar impor normas de linguagem estabelecidas pelo governo. Sua ortografia, que rejeita acentos e outros sinais diacríticos, é um caos tão medonho que Bernard Shaw deixou um legado para quem a simplificasse e lhe emprestasse alguma lógica apreensível racionalmente, legado esse que nunca foi reclamado por ninguém e certamente nunca será, apesar de algumas tentativas patéticas aqui e ali. Ingleses e americanos dispõem de excelentes manuais do uso da língua, baseados na escrita dos bons escritores e jornalistas - e, quando um americano quer esclarecer alguma dúvida gramatical ou de estilo, usa os manuais de redação de seus melhores jornais.

A segregação racial nos Estados Unidos produziu um abismo linguístico entre a língua falada pelos negros e a usada pelos brancos. Durante muito tempo, a língua dos negros foi vista como uma forma corrompida ou degenerada da norma culta do inglês americano. Mas já faz tempo que essa visão subjetiva e etnocêntrica foi substituída e o inglês falado pelos negros passou a ser visto pela ciência linguística como "black English", uma língua perfeitamente estruturada, com morfologia e sintaxes próprias, com sua gramática e sua funcionalidade autônoma, não mais como inglês de quinta categoria. E essa visão não foi acatada "de favor" ou para fazer demagogia com a coletividade negra, mas porque se tornou inescapável a existência de uma língua falada por ela, eficaz na comunicação de informação e emoção e que prescindia, sem que isso fizesse falta, de determinados recursos do inglês dominante.

Todos nós, com maior ou menor habilidade, falamos várias línguas, ou dialetos, dentro da, digamos, língua-mãe. Falamos língua de criança, língua chula, língua de solenidade. Podemos não chegar a falar todas as muitas línguas à disposição, mas geralmente as entendemos, como, por exemplo, quando ouvimos um caipira. Essas línguas, em padrões de variedade quase infinita, são todas legítimas, não são "erradas", pois, em rigor, nenhuma língua que funcione realmente como tal é "errada". E, muitas vezes, ao falarmos "certo", estamos na realidade falando inadequadamente, como um orador que, num comício no Mercado de Itaparica, se esbaldasse em proparoxítonas, polissílabos e mesóclises. Eu mesmo falo itapariquês de Mercado razoavelmente bem e alguns entre vocês, se me ouvissem lá, talvez tivessem dificuldade em entender algo que eu dissesse, por exemplo, a meu amigo Xepa.

Cientificamente, a neutralidade quanto a línguas, dialetos ou usos subsiste. Mas não socialmente, e é isso o que me parece ainda estar sendo discutido em torno da propalada aceitação, pelo MEC, de erros de português. "Erro de português" é uma expressão que desagrada ao linguista, porque ele não vê o fenômeno sob essa ótica. No entanto, é assim que o enxerga o público, mesmo o analfabeto, que aprende pelo ouvido a distinguir o certo do errado. Isto porque sempre se entendeu no Brasil que ensinar português é ensinar a norma culta, que, durante muito tempo, foi até mesmo ditada pelos usos de Portugal.

Quer se queira quer não - e há séculos de formação por trás disso -, a norma culta é tida como a correta e a única que representa verdadeiramente nossa língua. Sua violação é tolerada em manifestações literárias e artísticas de modo geral - e, assim mesmo, funciona mais quando o intuito é obter efeitos cômicos, ou "folclóricos", com essa violação. As pessoas costumam observar a adesão à norma culta no que ouvem e leem. Falar e escrever de acordo com ela é socialmente muito valorizado e resulta num poder de que a maioria não se sente boa detentora e ao qual todos aspiram. Não é questão linguística, é questão política. Não se trata de dizer aos que desconhecem a norma culta que a fala deles tem a mesma legitimidade, porque não adianta, não "cola" na sociedade. Trata-se de ensinar a esse praticante o pleno domínio da norma culta, a qual, mesmo tendo que absorver mudanças, nunca abdicará de sua hegemonia e é a de que ele vai precisar para subir na vida.

Advertir contra o preconceito sofrido por quem "fala errado" também não adianta nada, diante da força onipresente da norma culta. (Aliás, no Brasil estamos sempre à frente e agora legislamos sobre preconceitos e tornamos ilegal ter preconceitos, quando isto é praticamente impossível, pois o possível é apenas tornar ilegal a manifestação do preconceito.) A fala é dos mais importantes recursos para o que se poderia chamar de reconhecimento social da pessoa. Vendo alguém pela primeira vez, fazemos, conscientemente ou não, um julgamento automático. Aprontamos uma ficha mental, avaliamos a roupa, a idade, o estado dos dentes e, inevitavelmente, a fala, através da qual é frequentemente possível saber a origem e a extração social de um interlocutor eventual. A norma culta, a dominante, a que é ensinada como correta, mostra sua cara imediatamente e se reflete logo na maneira pela qual o sujeito é percebido e tratado. Ferreira Gullar tem razão, a crase não foi feita para humilhar ninguém. Mas humilha o tempo todo. E agora, pensando aqui nessa tirania da norma culta, fico imaginando se ela não é empregada com esse fim, por certos fiscais dogmáticos. Não devia ser, porque, afinal, ela é necessária para preservar e aprimorar a precisão da linguagem científica e filosófica, para refinar a linguagem emocional e descritiva, para conservar a índole da língua, sua identidade e, consequentemente, sua originalidade. Ao contrário do que entendi de certas opiniões que li sobre o assunto, a norma culta não tem nada de elitista, é ou devia ser patrimônio e orgulho comuns a todos. Elitismo é deixá-la ao alcance de poucos, como tem sido nossa política.

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Texto recebido por e-mail, da minha amiga Chrysley, em 05-07-2011

quinta-feira, 30 de junho de 2011

GUIMARÃES ROSA


"(...) A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam.  Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa.  Sucedido e desgovernado. Assim eu acho, assim é que eu conto. O senhor é bondoso de me ouvir. Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data."

(Grande Sertão: Veredas, p.77-78)
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ELIS REGINA - Retrato em Branco e Preto - Photograph in B&W



Música: Maestro Antonio Carlos Jobim
Letra: Chico Buarque de Hollanda

RECEBIDO POR E-MAIL


CARTA ABERTA AO CHICO BUARQUE - 12/01/2011 11h54

Chico,

Confesso que fiquei chocado ao vê-lo desfilar na passarela da Dilma, cantarolando como se estivesse a defender uma causa justa, honesta e patriótica.

Logo você, Chico, que ganhou tanto dinheiro encantando a juventude da década de 1970 com parolas em prosa e verso sobre liberdade e moralidade. Percebo que aquilo que você chamava de ditadura foi, na verdade, o grande negócio da sua vida. Afinal, você estava à toa na vida. Você deveria agradecer aos militares por tudo o que te fizeram, porque poucos, muito poucos, ganharam tanto dinheiro vendendo ilusões em forma de música e poesia como você.

Estou agora fazendo essa regressão, após vê-lo claudicante como A Mulher de Aníbal no palanque do Lula e da Dilma. Claro que deu para perceber o seu constrangimento, a sua voz trêmula e pusilânime, certamente sendo acusado pela sua consciência de que estava naquele momento avalizando, endossando todas as condutas deste governo trêfego e corrupto.

Nunca, jamais imaginei, Chico, que você pudesse se prestar a isso algum dia. Mas é possível antever que apesar de todos vocês, amanhã há de ser outro dia. Quando chegar o momento, esse nosso sofrimento, vamos cobrar com juros. Juro ! Você, como avalista, vai acabar tendo que pagar dobrado cada lágrima rolada. Você vai se amargar, Chico, e esse dia há de vir antes do que você pensa. Não sei como você vai se explicar vendo o céu clarear, de repente, impunemente. Não sei como você vai abafar o nosso coro a cantar, na sua frente. Apesar de vocês, Chico, amanhã há de ser outro dia.

Estamos sofrendo por ter que beber essa bebida amarga, dura de tragar. Temos pedido ao Pai que afaste de nós esse cálice, mas quando vemos você, logo você, brindando e festejando com todos eles, só nos resta ficar cantando coisas de amor e olhando essa banda passar. E pedir que passe logo, porque apesar de vocês amanhã há de ser outro dia.

Estamos todos cada qual no seu canto, e em cada canto há uma dor, por conta daquela cachaça de graça que a gente tem que engolir (lembra ?), ou a fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir.

Só espero, Chico, que as músicas que você venha a compor em parceria com os seus amigos prosélitos de palanque não falem mais de amor, liberdade, moralidade e ética - essas coisas que você embutia disfarçadamente nas suas letras agora mortas de tristeza e dor.

Não fale mais disso - não ficará bem no seu figurino agora desnudo. Componha, iluda, dance e se alegre com todos eles, ganhe lá o seu dinheiro, entre na roda e coloque tudo na sua cueca - ou onde preferir - mas não iluda mais os nossos jovens com suas músicas, simbolizadas hoje apenas na sua gloriosa A Volta do Malandro.

Abrace o Genoino, Sarney, Palocci, Jose Dirceu, desculpe acho que você vai pedir para o Sarney sair.

Assinado (seu vizinho do lado)
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quarta-feira, 29 de junho de 2011

NOTÍCIA INTERESSANTE



O Drummond que você não conhecia
Michaela von Schmaedel - Revista Elle, 28 de junho de 2011

Fãs de Carlos Drummond de Andrade, preparem-se: um novo livro com alguns poemas inéditos acaba de ser lançado. Versos de circunstâncias (Instituto Moreira Salles, 288 págs., R$ 55) reúne 295 dedicatórias em forma de poemas que Drummond costumava escrever aos amigos. Todos esses poeminhas eram transcritos para pequenos cadernos que o próprio autor nomeava de versos de circunstâncias.


Muitos dos homenageados são conhecidos, como Lygia Fagundes Telles, José Olympio e Rachel de Queiroz. O livro foi organizado por  Eucanaã Ferraz, consultor de literatura do IMS, e traz reproduções fieis, sendo possível acompanhar a caligrafia original do poeta. Bacana, né?

A Raquel de Queiroz:

Fotos: Acervo Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa

Colaboração Yasmin Abdalla

terça-feira, 28 de junho de 2011

O QUE SERÁ (1976)- CHICO BUARQUE



"acho que eu mesmo não sei o que existe por trás dessa letra e, se soubesse, não teria cabimento explicar..." (Chico Buarque)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

CECÍLIA MEIRELES - Timidez


Timidez
Cecilia Meireles

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

e um dia me acabarei.

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

FERNANDO PESSOA - Há metafísica bastante... (Alberto Caeiro)


O Mistério das Cousas
Alberto Caeiro 

Há Metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.

Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber o que não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo" ...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas,
É como pensar em razões e fins

Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De que, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

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terça-feira, 21 de junho de 2011

CONCIERTO PARA UNA VOZ (Saint-Preux)



O AMOR É LINDO...
Encontrei este diálogo nos comentários do youtube, assistindo a este  vídeo. Achei interessante. Também gosto muito desse "Concerto para uma voz", de Saint-Preux, na voz de Danielle Relicari.

" - Te invito a cerrar tus ojos y dejarte llevar por la armonía de la canción, la cual te invita a soñar a subir el alma al cielo y de ahí al más allá, a soñar con el ser amado que caminan juntos en una sola dirección sin saber lugar a donde van solo el hecho de estar juntos y compartir un sueño hecho realidad.

- EN REALIDAD YO DESEARIA MAS ESTAR SOLA. NO CREO NECESARIO EN MI CASO VIVIR ESTO CON ALGUIEN, ES IMPORTANTE TAMBIEN VIVIR ESTAS COSAS SUBLIMES A SOLA. ME GUSTO TU COMENTARIO.

- Es correcta tu afirmacion. Saludos. "

Agora reparem: há um convite, com a maior delicadeza e até poético, para o início de uma conversa amigável ou mesmo um possível relacionamento.
Depois, a resposta, que embora educada, está em caixa alta e revela o desejo de distanciamento.
Por fim, a "finesse" na aceitação da recusa da "cantada". Uma atitude muito elegante. E rara.
 
Estudos sobre o comportamento humano sempre me chamaram a atenção.
Os vídeos de música clássica no youtube têm, em sua maioria, os comentários em língua estrangeira. Sintomático...
Essa Internet me diverte!
Ô, Língua de Trapo! (kkkkkkkkk!!!!!!!!!)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

NARA LEÃO - Com açucar, com afeto (Chico Buarque)

LIVROS DIFERENTES

 
 
Considéré (et vendu) comme le plus beau livre du monde, la "Dotta Mano" est éditée par la fondation FMR à 33 exemplaires. Une couverture en marbre réalisée par Michelangelo représente "La Vierge à l'escalier". Le contour est en velours frappé, l'intérieur est couvert de papier marbré, réalisé en plongeant des feuilles dans un liquide à base d'algues.
Parfois les images sont si présentes dans une histoire qu'elles semblent jaillir du livre... C'est ce que matérialise Su Blackwell, artiste britannique, qui s'efforce d'illustrer l'univers d'une oeuvre avec ses créations.

C'est en les lisant avec attention que l'on apprend à connaître les écrivains. Mais pas facile de savoir à quoi ressemblent physiquement les auteurs grâce à un livre... C'est pour remédier à cela que l'agence Van Wanten Etcetera a décidé de mettre en avant ces ouvrages à l'effigie de leurs auteurs. Anne Frank, Kader Abdolla mais aussi Louis Van Gaal et Vincent Van Gogh ont été représentés à l'occasion d'un salon littéraire hollandais.  
Voici un magnifique livre d'heures (ou livre de prière enluminé) du XVe siècle, écrit et décoré par Nicolas Blairié, à la forme étonnante. Lorsqu'il est ouvert, il se transforme en coeur.
 
 
 
Fonte: revista eletrônica L'Internaute 

domingo, 19 de junho de 2011

VIVA A MÚSICA !



O PODER DAS CANÇÕES
Trechos de artigo na revista Isto É, seção Medicina e Bem-estar, publicado em 2009.
Por Cilene Pereira


O bem-estar promovido quando se ouve uma boa música é inegável. Mas a ciência está descobrindo que os benefícios da canção para o corpo e a mente vão muito além do relaxamento.
Pesquisas feitas em vários laboratórios espalhados pelo mundo informam que as composições contribuem para o alívio da dor, atenuam a depressão, ajudam no tratamento de doenças respiratórias, afiam o funcionamento cerebral e até auxiliam na restauração da visão de pacientes vítimas de acidente vascular cerebral.
(...)
Mas o que outros estudos estão demonstrando é um espectro mais amplo de vantagens. Um trabalho realizado no Instituto do Coração, em São Paulo, com 70 doentes revelou que aqueles que ouviam música clássica durante durante a realização de um cateterismo diagnóstico (procedimento no qual um cateter é levado até o coração para identificar eventuais obstruções nas artérias) ficaram bem menos ansiosos do que os submetidos ao exame sem trilha sonora.
(...)
Na Inglaterra, uma equipe do Imperial College London descobriu que a música ajuda pessoas com a visão debilitada após um acidente vascular cerebral. Eles verificaram que os indivíduos enxergavam melhor quando ouviam suas canções preferidas. "Acredito que o prazer que isso proporciona libera substâncias que facilitam a transmissão de sinais entre os neurônios", explicou à ISTO É o pesquisador David Soto, autor do trabalho. (...)
De fato, está provado que há mudanças significativas dentro do organismo promovidas pela música. "Ouvir ou apenas pensar em uma música estimula o fluxo sanguíneo entre as redes de neurônios", disse à ISTO É Wendy Magee, pesquisadora de musicoterapia do Instituto de Reabilitação Neuropaliativa, em Londres.
Em um trabalho publicado na última edição do jornal Circulation, da Associação Americana de Cardiologia, pesquisadores italianos descreveram outros efeitos: quando o andamento é lento, os vasos sanguíneos se dilatam, resultando em uma queda da pressão arterial. Se for mais rápido, ao contrário, há uma contração dos vasos, elevando a pressão. E períodos com frases musicais longas, como no coro "Va Pensiero", da ópera "Nabuco", de Verdi, sincronizam o ritmo dos batimentos cardíacos. 
É a mudança do corpo pelo som. "Toda forma de arte, inclusive a música, é um caminho seguro e direto de transformação, diz o médico Samir Rahme.

Então, Viva a Música!

sábado, 18 de junho de 2011

VIAGEM - EMÍLIO SANTIAGO


Composição de João de Aquino e Paulo Cesar Pinheiro que escreveu o poema aos 15 anos de idade.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A LISTA - OSWALDO MONTENEGRO

"BUDA NO LIXO"

Foto Jornal UOL em 17 de junho de 2011
 Hoje, ao abrir a Internet para leitura de e-mail, notícias e o que mais podemos usufruir  dessa ferramenta extraordinária, deparo-me com a manchete - "Buda no lixo" - e a foto do Jornal  UOL. Fiquei pensando que parece, mesmo, um alerta  para os tempos esquisitos que vivemos. Evidentemente o flagrante remete ao tsunami no Japão (um dos) mas, de todo modo, é impressionante como às vezes certos acontecimentos aparentemente banais - não o tsunami, mas a publicação da foto - nos induzem a refletir e buscar nossa essência.
Buda, essa figura milenar, fonte de sabedoria, tem sua enorme escultura fotografada em meio à destruição, ao caos. É como se daquela altura quisesse nos impactar, lembrando-nos de que temos, sim, essa sociedade global, atirado ao lixo seus ensinamentos.
Fui então à "bagunça organizada" da minha biblioteca para compartilhar alguns preceitos de "O evangelho de Buda" (Editora Pensamento):

- "(...) Os erros passados engendram tristeza e sofrimento. A passada retidão traz felicidade. Colhereis o que semeardes. Vede vossos campos. O sésamo foi sésamo, e o trigo, trigo. O silêncio e a sombra o sabem. Assim nasce o destino do homem. Vem à vida e colhe o que semeou; sésamo ou trigo, ou venenosas e daninhas ervas que o corrompem e à doentia terra. Porém, se bem lavrada a terra e estirpadas as más ervas, semeando em seu lugar as sãs e puras, formoso e fértil será o solo e ótima a colheita."

- "Isto basta para se saber quão ilusórios são os céus , as terras, os mundos e as mudanças que os alteram em potentes rodas de lutas e violências, cujo turbilhonante giro ninguém pode deter nem inverter. Não supliqueis, porque as trevas não iluminarão. Nada peçais ao silêncio, porque ele está mudo. Nada espereis dos deuses implacáveis, oferecendo-lhes hinos e dádivas."(...) "Em nós mesmos devemos buscar a libertação."

É... talvez sejam tempos para reflexão e mudança de atitudes.


Nota de esclarecimento:
Depois do comentário de "Anônimo",  ao reler o texto, me dei conta de que a interpretação poderia dar margem a se imaginar um "milagre". Nada disto. Embora proporcionalmente a escultura seja bem maior até que um prédio e o material seja mais resistente, mesmo que seja uma 'montagem', o que me chamou a atenção foi a criatividade na publicação da foto. Para um observador atento há, sim, uma intenção de alerta para os chamados fenômenos naturais que tem acontecido. Em se tratando do Japão - conglomerado de ilhas - a situação é ainda mais preocupante.
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